Sai a pandemia e entra a mudança do clima como fator decisivo na economia | Invest

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2020 e 2021 serão lembrados eternamente como os anos da pandemia da COVID-19. Nas palavras do secretário geral da ONU Antônio Guterres, esse ser microscópico deixou o mundo de joelhos. 2020 foi também o segundo ano mais quente da história até hoje, mas deve perder essa colocação rapidamente para os anos vindouros. Provavelmente, nem será lembrado por isso em um futuro próximo.

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Os efeitos da pandemia na economia são evidentes: o Banco Mundial prevê uma retração global de 4,3% para 2020 e o Banco Central estimou queda de 4,4% do PIB no Brasil. Em 2021, espera-se uma retomada de 4% e 3%, respectivamente. Quando o assunto é mudança do clima, a Munich RE calcula que as perdas nos dois últimos anos ultrapassaram US$ 375 bilhões, representando os maiores prejuízos já registrados.

Como projeção para o futuro, em 2020, o Fórum Econômico Mundial (FEM) indicou que os EUA podem ter prejuízo de 10% do PIB no final do século com danos relacionados ao clima, e as 200 maiores empresas do mundo esperam um custo adicional de US$ 1 trilhão de dólares com questões vinculadas às mudanças do clima se nada for feito . Esse será o preço da inação.

O recém lançado Relatório de Riscos Globais 2021, do FEM, traz em primeiro lugar, pelo quinto ano consecutivo, como o risco mais preocupante, o “fracasso nas ações climáticas”, e pelo terceiro ano consecutivo os três riscos mais prováveis têm relação com o tema. Nesse sentido, o Barômetro da Confiança 2021, da Edelman, registrou que o segundo maior medo da população (33 países cobertos na pesquisa) é a mudança do clima – maior do que contrair a COVID-19 e menor apenas do temor de perder o emprego.

Em linha com estes resultados, a consultoria Eurasia coloca o clima como o terceiro maior risco para 2021, em parte por uma possível falta de coordenação global para transição energética e políticas climáticas. A análise ressalta que os europeus continuarão sendo os principais patrocinadores da agenda e se prepararão para taxar produtos intensivos em carbono. A taxonomia na União Europeia classificará atividades das empresas com critérios de elegibilidade “verdes”, trazendo para o pacote de investimentos apenas os setores que não “provoquem nenhum dano significativo” (“Do No Significant Harm”).

A China apresentará um programa massivo de descarbonização da sua economia, enquanto utiliza seu modelo de capitalismo de Estado para dominar o advento de novas tecnologias e promete a neutralidade de carbono até 2060. Os EUA virão para o jogo, transformando 2021 numa corrida global de energias limpas. Com isso, clima e transição energética serão fatores de segurança nacional e industrial.

Assim, a Eurasia não destacou clima por riscos futuros, mas por entender que 2021 será o ano no qual clima irá de playground para cooperação para a arena de competição global. O estudo finaliza com um ponto de atenção para os negócios: “Não se engane, o impulso para a neutralidade criará enormes oportunidades para o capital privado, especialmente o crescente pool de dólares e euros ambientais, sociais e de governança”.

Cinco anos se passaram após o Acordo de Paris, e os países se comprometam retornar uma nova rodada de negociações a fim de ampliar seus objetivos de redução de emissões. Neste sentido, a Conferência do Clima da ONU (COP26) deste ano, em Glasgow, na Escócia, será um momento decisivo. Glasgow terá como foco a ação e a elevação das ambições – com vistas à neutralidade das emissões – de países e empresas. Há uma grande expetativa de discussão do artigo 6 do Acordo de Paris, o qual prevê os mecanismos de regulação de mercado de carbono.

Felizmente, algumas nações já têm assumido compromissos “net zero” como União Européia, Reino Unido, Japão, China, Coréia do Sul e Canadá. Empresas e instituições financeiras também. Em três anos, o número de empresas comprometidas com a neutralidade climática triplicou, chegando a 1500. Vários fundos de pensão já se comprometeram a terem carteiras de investimento neutras, como, por exemplo, o banco Morgan Stanley prometeu zerar as emissões dos seus investimentos até 2050.

A Black Rock, maior gestora de ativos do mundo, anunciou que lançará seu plano para neutralidade climática até 2050. Além disso, junto com a Street Global Advisors – terceira maior gestora de ativos do mundo – passaram a compor a Climate Action 100+. A iniciativa, formada por investidores que se propõe a pressionar os grandes emissores de gases de efeito estufa a tomarem ação, já conta com 545 instituições e US$ 52 trilhões sob gestão.

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