REVIEW | Jogo: Call Of Cthullu – Teoria Geek

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Call Of Cthullu faz jus à literatura de Lovecraft, mas como jogo tem falhas e carece de mais polimento.

Ficha Técnica

Desenvolvido por: Cyanide Saber Interactive
Publicado por: Focus Home Interactive
Gênero: Ação, Horror
Série: Call Of Cthullu
Lançamento: 30/10/2018
Classificação indicativa: 16 anos
Modos: Single player
Disponível para: PS4, Xbox One, Nintendo Switch, Steam (PC)

 

MANTENHA O LEGADO DE LOVECRAFT

Pouco se tem trabalhado em jogos que envolvam a literatura de H.P. Lovecraft. Call Of Cthullu, famoso conto do escritor, teve um jogo de RPG de mesa feito em 1981 pela empresa Chaosium. O jogo conquistou tanto fãs do gênero RPG como adoradores da literatura de Horror. A francesa Cyanide, pensando no clássico conto, lançou em 2018 um jogo para os consoles que tenta absorver toda a atmosfera bem peculiar das narrativas de Lovecraft. Apesar da boa ideia apresentada e por manter o legado do escritor vivo, o jogo tem seus momentos de destaque, outros nem tanto.

Call Of Cthullu

UM DETETIVE E UMA VILA CHEIA DE MISTÉRIOS

O detetive particular Edward Pierce é contratado para investigar o trágico incêndio que envolveu a família Hawkins em Darkwater, pequena vila costeira em Boston. Ao chegar em seu destino, se depara com um lugar repleto de ocultismo, rituais, mistérios, desaparecimentos e passa a questionar sua própria sanidade. Os cenários, mesmo não sendo espetaculares, conseguem trazer toda a ambientação de um lugar místico e carregado de segredos.

Típico jogo que passa muito tempo em ambientes escuros, a lanterna e o isqueiro são os melhores aliados. Casas abandonadas, galpões, celeiros, departamentos e tavernas tentam ao máximo fazer com que o jogador busque por mais informações e fuja um tanto da linearidade. Se o jogo até faz uso de bons cenários que capturam bem a atmosfera de uma narrativa de Horror, peca em parte nas animações faciais datadas e sem polimento de muitos personagens, o que acaba ofuscando o brilho de muitas cenas que tinham potencial para casar melhor com o cinematográfico.

De qualquer forma, vale a pena explorar cada canto da vila para encontrar detalhes da história, dos fatos ligados ao incêndio e de alguns personagens através de fotos, símbolos, objetos e notas. O jogo busca mais essa dinâmica da literatura ao fazer o jogador explorar bastante os ambientes ao se deparar bastante com leitura e com o passado do lugar. Para quem busca ação e ritmo frenético, Call Of Cthullu, em certa parte, pode decepcionar. Ação e uso de armas surgem mais para as fases finais.

Call Of Cthullu

MISTURA DE GÊNEROS

Os elementos de RPG estão lá, mesmo que não façam o jogador perder muito tempo, tudo sem complicação. Você possui habilidades para desenvolver. A cada avanço de capítulo, você ganha pontos para gastar em atributos como força, investigação, eloquência, medicina, entre outros. Para acessar algumas alavancas, por exemplo, o jogador pode precisar mais de força, então fica a critério dele o que aumentar em cada ocasião.

Para um jogo envolvido pela atmosfera de horror e com mistérios para se resolver, os puzzles poderiam aparecer mais. Os enigmas maiores se concentram no poder de Edward em reconstruir algumas cenas da investigação, mas essas passagens não exigem tanto do jogador e acabam sendo simples demais. Embora tenha um leque de escolhas para as conversas com outros personagens e o jogo permita ter 4 finais, o jogador acaba caindo na previsibilidade e os capítulos finais não mudam bastante apesar das finalizações distintas.

Call Of Cthullu

NA SOMA FINAL…

No meio de alguns erros e alguns esmeros na produção final, o jogo ganha em alguns momentos. A parte em que Pierce começa a andar num corredor cheio de celas que não parece ter fim e as cenas onde é perseguido por uma horrível criatura são bem angustiantes e claustrofóbicas, o que acabam colaborando para um jogo mais tenso onde até a bateria da lanterna que acaba pode te matar.

Localizações como a imponente mansão da família Hawkins também acrescentam mais mistério ao jogo e fazem lembrar de produções como Silent Hill e Resident Evil, quando a gente ficava apreensivo apenas num abrir de porta. Outro elemento importante é a sensação de pânico por qual passa constantemente o personagem Pierce em alguns cenários e que o jogador parece compactuar com o sentimento.

Call Of Cthullu passa uma experiência mediana e deve ser aquele jogo que talvez muitos jogadores terminem e não retornem mais a ele. Para os amantes da literatura de horror, é uma aceitável pedida por conta de focar bem na história e em criar no jogador um estímulo de constante leitura sobre as informações acerca da narrativa. De uma forma geral, o jogador sente que a empresa poderia ter caprichado muito mais para um escritor tão grandioso como Lovecraft, porém nem tudo está perdido e nós até compactuamos da sanidade abalada de Edward Pierce.

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