Pró-Albânia e ‘anti-establishment’, Albin Kurti é eleito premiê no Kosovo • A Referência

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O político “anti-establishment” Albin Kurti voltou ao poder no Kosovo no domingo (14). Líder do partido Vetevendosje (Autodeterminação), Kurti somou 48% dos votos e foi escolhido como primeiro-ministro na segunda eleição parlamentar em 18 meses.

Kurti teve o dobro dos votos ante seu resultado em 2020, quando foi eleito pela primeira vez como premiê, mesmo após ser proibido de concorrer pelo Tribunal Constitucional do país, apontou o diário britânico “Financial Times”.

Oposicionista na maior parte de sua trajetória política, o político saiu vitorioso em fevereiro de 2020 após angariar quase 30% dos votos por meio da promessa de criação de uma “plataforma anticorrupção” no país, de economia frágil, nos Bálcãs.

O primeiro-ministro eleito de Kosovo, Albin Kurti, em pronunciamento em outubro de 2017 (Foto: Republic of Kosovo/Robert Elsie)

Menos de três meses depois, porém, uma moção de censura apoiada pelo então presidente norte-americano Donald Trump garantiu a remoção do premiê.

A saída de Kurti era estratégica naquele momento para a política externa dos EUA e visava um acordo entre o Kosovo e a Sérvia, que exige a reincorporação kosovar ao seu território. As negociações pelo reconhecimento mútuo entre as duas nações estão estagnadas.

Kurti defende uma união de Kosovo com a Albânia e pode fomentar um distanciamento do país, independente desde 2008, das potências ocidentais.

Em entrevista ao portal Euronews, o político voltou a afirmar que votaria sim em um referendo por uma união dos dois países. Mais de 90% dos 1,8 milhão de habitantes de Kosovo são albaneses étnicos.

Com a vitória, Kurti excluiu o PDK (Partido Democrático do Kosovo) de seu mandato. A sigla inclui o ex-presidente Hashim Thaci que renunciou em novembro em meio um julgamento por crimes de guerra durante o conflito separatista, no Tribunal Penal Internacional em Haia, na Holanda.

Na eleição, o PDK conquistou 17% dos votos. Já a LDK (Liga Democrática do Kosovo), também dominante desde a separação da Sérvia, teve 13% da preferência dos eleitores, reportou a alemã Deutsche Welle.

Histórico de oposição

Aos 45 anos, Kurti é um ex-prisioneiro politico que acusa as elites tradicionais de Kosovo de “desperdiçar os primeiros anos de independência” com corrupção e má administração.

Em entrevista, o político afirmou que o diálogo mediado pela UE (União Europeia) com a Sérvia não é prioridade – mas pode surpreender. Com o apoio popular, é possível que o novo líder kosovar consiga, enfim, articular um acordo.

Após a independência unilateral em 2008, o Kosovo possui o reconhecimento dos EUA e União Europeia. Sérvia e Rússia até hoje não reconhecem o território.

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