O samba-enredo do carnaval foi sobre adaptação – 17/02/2021

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Dizem que o ano só começa depois do carnaval. Então acho que estamos no dia 79 de dezembro de 2020. Essa é a sensação, não é mesmo?

Teve gente que fez uma festinha em casa, outros participaram de um bloquinho escondido. Mas esse ano os desfiles que aconteceram oficialmente foram apenas os do “Unidos esperando a vacina” e o da “Acadêmicos usando máscara”.

Cada um sobreviveu a esses dias de um jeito. Eu sou do grupo que não sentiu falta das festas. Mas reconheço que uma mudança no calendário afeta totalmente os nossos negócios. Uma coisa todos temos em comum: faça chuva ou faça sol, “fique em casa” ou carnaval, os boletos continuam chegando. A gente tem metas para bater, bocas para alimentar, compromissos para saldar.

Vamos fazer uma comparação bem simplista: imagine que nesse fim de semana faça uma chuva bem forte na sua cidade. Daquelas que dá uma boa alagada nas avenidas. Se isso acontecer, quem vai ter prejuízo? E quem vai ter lucro?

O vendedor de guarda-chuvas vai ficar felizão. Já o motorista de Uber deve ter um dia estressante. O jardineiro talvez goste do banho que as plantas vão receber, mas o pintor vai ter que adiar o serviço. O piloto de avião já imagina os percalços. Enquanto isso, o pizzaiolo sorri lembrando que vai “bombar” no delivery. A dona daquela pousada tem que amargar cancelamentos de última hora e a empresa de telefonia torce para que a chuva não estrague a sua rede.

Trabalho com sorvetes, então sei bem o quanto o contexto afeta as vendas. O lava-rápido, a seguradora, a pastelaria da feira, e as fábricas de protetor solar ou de repelentes também.

Nuvens carregadas de água: está aí uma coisa que a gente vê o tempo todo mas que exige uma adaptação forte em muitos comércios. A gente já nem se incomoda tanto, porque está acostumado. Não só com as chuvas, mas com a necessidade de se adaptar.

Se você estava contando com o carnaval para as suas vendas, é hora de sambar de outro jeito. A tempestade que você estava esperando não veio. Mas isso não quer dizer que tudo está perdido. Os exemplos que mostrei acima provam que a gente leva nota 10 da bancada no quesito usar a criatividade para sobreviver.

Mesmo que você seja um vendedor de pandeiros, ainda tem mais dez meses pela frente para se reinventar. A pandemia já obrigou muita gente a fazer isso. E mostrou que no mundo dos negócios não basta ter uma boa fantasia, saber dançar de salto alto ou cantar no trio elétrico. Para aparecer no desfile das campeãs é preciso saber improvisar no enredo.

Pensando bem, se o tamanho desse evento fosse medido pela quantidade de pessoas com máscaras (de proteção) e rebolando (pra conseguir pagar as contas), então acabamos de passar pelo maior carnaval da nossa história.

Imagem: Felipe Tomazelli

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