“Você não estava me fazendo nenhum favor, era importante para mim e eu merecia”. Um texto sobre como o amor, na verdade, precisa ser leve

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Este texto é sobre o que eu não consegui falar, sobre sutilidades que passam despercebidas e coisas que são relevadas. Sobre o quanto você permite a interferência alheia, sobre a importância de aprender a identificar a carência e a respeitar a si mesma. Por fim, esse texto é para que todos possam entender que não é porque não aconteceu nenhuma situação “digna de término”, que se deve continuar numa relação.

Eu sempre amei música, não sou a Whitney nem o Hendrix, mas tenho minha própria história e relação com ela. Você, por outro lado, ria e reclamava da minha voz, achava que eu tinha que tocar e cantar exatamente como a versão oficial. Você me fez ter vergonha da parte da minha história que moldou a minha infância, a única coisa boa e em comum que eu tive com meu pai, e uma das poucas coisas que eu gostava de fazer na vida.

Então eu me senti perdida e desesperada para encontrar coisas suficientemente boas, de qualidade e que fariam você me achar uma pessoa mais inteligente e encantadora. Fiquei determinada a aprender tudo sobre você para que eu pudesse ser digna e para que tivesse motivo para se apaixonar por mim. Para que me considerasse uma pessoa tão interessante quanto você acreditava ser.

Cada vez que você aumentava o som para que minha voz não aparecesse, me fazia matar a melhor coisa que existia em mim. Eu deveria ter percebido o que significava o seu sorriso durante a venda do violão que minha vó tinha me dado. Você estava me dizendo a todo momento que não era capaz de entender o que era importante na minha vida — e mesmo que fosse, não se importava.

Tentei absorver seus gostos, costumes, dediquei anos para tentar ser a pessoa que você acharia interessante, mas sabe qual é a verdade? Eu me sentia exausta, infeliz e com medo. Forçar ser quem você não é, cansa. Eu nunca consegui dizer que eu me sentia sobrecarregada e você nunca fez questão de perceber — ou percebeu e ignorou.

Tudo isso porque, na verdade, eu estava carente, e tinha pavor de me sentir ou ser sozinha. Você não me traiu, não tivemos nenhuma briga de novela, as famílias se gostavam, não havia “motivo” para terminar. Isso se estendeu por anos de estagnação, de sentimento de inferioridade e de uma vida parada e sem graça.

Lembro uma única vez em que estávamos num evento e, por acaso, havia instrumentos. Você ficou irritada por não receber atenção, mas para mim foi o dia mais feliz de todo esse relacionamento. Eu deixei de me importar com sua opinião e fiz o que tive vontade. Você não estava me fazendo nenhum favor, era importante para mim e eu merecia.

Entrei numa nova relação, e sabe qual foi meu primeiro presente? Um instrumento musical. Ganhei novos amigos, e sabe o que todos querem que eu faça? Cante e toque. Fui no restaurante da nova cidade que eu moro, e sabe o que aconteceu? Me chamaram para tocar lá.

A questão é que não precisamos esperar que coisas muito ruins aconteçam para dar um basta num relacionamento. Essa história de que o amor exige sacrifício e sofrimento precisa ser deixada de lado. É importante saber escolher onde e com quem ficar. É importante entender suas necessidades, prioridades e estar ao lado de alguém que te ame — por quem você é.

Não seja objeto de projeções ou de desejos incubados. Se alguém quer que você seja outra pessoa, então ela não quer você — ela quer outra pessoa. O verdadeiro amor te devolve para si mesma, te faz lembrar quem você é e te faz ter orgulho de si. Ele é sutil, leve e te faz sentir viva.

Você já passou por alguma situação semelhante? Que conselhos você daria para quem precisa reconhecer seu próprio valor num relacionamento? Compartilhe conosco nos comentários. 😉

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