Vigil: The Longest Night é um Metroidvania que joga seguro

Vigil: The Longest Night é um Metroidvania que joga seguro

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Fonte:  Voxel 

Certos jogos não fazem questão alguma de reinventar a roda e se contentam em ser somente uma honesta homenagem aos games que os influenciaram. E tudo bem. Concebido pelas mãos do pequeno estúdio taiwanês Glass Heart Games, Vigil: The Longest Night é exatamente isso: ele não esconde suas influências nas fórmulas Metroidvania e Soulsborne nem se empenha para trazer ideias originais, mas cumpre o propósito fundamental de divertir.

Como grande fã de ambos os subgêneros, gostaria de registrar o meu desabafo: quanto mais jogos tivermos inspirados nas duas fórmulas, melhor. Sou suspeito de falar sobre qualquer coisa que tenha traços de Soulsborne e Castlevania, então Vigil já me causou uma boa impressão logo no início. Se você gostou de Hollow Knight, Salt and Sanctuary, Death’s Gambit e Blasphemous – apenas para mencionar alguns nomes que me vieram à mente agora –, saiba que Vigil tem potencial para ser seu novo xodó, ainda que tenha defeitos escancarados. Confira a nossa análise completa.

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Tempero lovecraftiano e exploração um tanto antiquada

Em Longest Night, a história abraça um tom mais sombrio e opressor para desenvolver a personagem Leila, uma jovem vigilante cujo objetivo é salvar sua cidade natal de criaturas grotescas e entidades misteriosas. Sem se aprofundar muito nos detalhes para evitar spoilers, a tarefa da protagonista se torna ainda mais difícil quando ela percebe que seu mundo já não é mais o mesmo de outrora.

Com um leve tempero lovecraftiano à la Bloodborne e cheio de referências à cultura de Taiwan, Vigil apresenta a densidade narrativa que se espera de games do tipo, mostrada num ritmo lento conforme o jogador explora suas minúcias. Tal qual como qualquer souls-like, o mundo desabrocha por meio de descrições de itens e diálogos enigmáticos que se renovam a cada nova abordagem – fique tranquilo, pois os textos estão em português brasileiro. A diferença é que aqui existem muitos NPCs espalhados pelo mapa que não apenas detalham o enredo, mas também desempenham um papel crucial na hora de guiar a heroína ao próximo objetivo (ainda que os trajetos nem sempre estejam claros).

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A exploração é um dos aspectos mais importantes de um Metroidvania, mas em Vigil isso não funciona tão bem assim. Seja pela falta de orientação ou pela representação confusa de alguns trechos no mapa, o fato é que a dificuldade elevada nesse quesito parece mais limitação técnica e decisão ruim de level design do que algo intencional e projetado para testar a percepção do jogador.

É claro que parte da magia desse gênero é fazer com que você se sinta perdido, desorientado o bastante para revisitar todas as regiões já descobertas em busca de uma passagem que até então não estava disponível. Entretanto, em Vigil você não está munido de recursos para desvendar o próximo passo da jornada sem antes se frustrar. Trata-se de um jogo geograficamente generoso, com uma extensa área a ser explorada, porém, prejudicado por um limitado, quase inexistente, sistema de navegação.

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Combate e progressão do jeito que gostamos

Por mais que a exploração não esteja à altura de outros games recentes com a mesma proposta, Vigil: The Longest Night demonstra todo o seu potencial num ótimo sistema de combate, capaz de honrar o legado do gênero ao qual pertence. As batalhas têm peso, imprimem o mesmo compasso de Bloodstained: Ritual of the Night, com a interface de um Dark Souls, e exigem que você acompanhe os movimentos dos inimigos de forma cuidadosa antes de partir para o ataque. Sua estética 2.5D, inclusive, também tem muito da obra de Koji Igarashi.

O ritmo fica a critério de você, jogador, já que pode variar de acordo com a arma escolhida. A foice, por exemplo, favorece a cadência lenta e causa mais dano, enquanto a adaga garante ataques fracos, só que desferidos com extrema rapidez. A variedade do combate é o maior trunfo de Vigil: sempre haverá uma arma suficientemente boa para se adequar ao seu estilo de gameplay, você só precisa descobri-la.

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Leila, a nossa protagonista, inicia a jornada com movimentos bem básicos. À medida que progride, ela destrava ações avançadas, como o pulo duplo, a possibilidade de se agarrar em bordas e uma estratégica rasteira, algo como uma esquiva prolongada, bem útil em batalhas contra chefes. Ao desbloquear novos meios de se deslocar pelos cenários, a protagonista deve retornar a áreas visitadas, inacessíveis de início, para dar continuidade à aventura.

Ainda, há um viciante sistema de progressão baseado em níveis em que você pode distribuir pontos de habilidade para aprimorar a flexibilidade de Leila. A personagem também recorre ao ferreiro para evoluir equipamentos, o que serve de incentivo para revisitar regiões já conhecidas de modo a obter os mesmos materiais inúmeras vezes. O farming, aliás, é uma opção inteligente (e possível) a quem quer ficar mais forte.

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Outro aspecto interessante é que você pode alterar o nível de dificuldade a qualquer momento, democratizando assim a experiência para o jogador que não é tão habilidoso ou não está familiarizado com a fórmula. Colocar o game no fácil, por exemplo, assegura que os inimigos – o que inclui bosses – fiquem fracos e vulneráveis. Por outro lado, o seletor também permite injetar uma dose extra de desafio aos mais masoquistas. É importante frisar, no entanto, que colocar o game no fácil não vai amenizar o problema que Vigil tem em relação à navegação (leia-se também exploração).

Problemas aos montes

O Voxel teve acesso à versão de Vigil no Nintendo Switch, que mostrou-se um verdadeiro desastre em termos de desempenho. O título foi incapaz de se manter estável, mesmo que por alguns minutos, e apresentou quedas bruscas de fps, seja em ação ou no simples ato de explorar os ambientes, sem muitos elementos na tela. Além disso, tive a infelicidade de presenciar bugs e travamentos que me fizeram reiniciar o aplicativo mais de uma vez, sendo que em um deles acabei perdendo um save com quase dez horas de jogatina.

Vale a pena?

Vigil: The Longest Night é a união de dois subgêneros que nunca estiveram tão em alta como atualmente. Combate, progressão e atmosfera representam as principais qualidades dessa prosa lovecraftiana, apesar de carecer de ideias originais. Se você, assim como eu, gosta de experimentar qualquer produção que consiga colocar as palavras Metroidvania e Soulsborne numa mesma frase, The Longest Night é uma aquisição mais do que certa. Existem, contudo, ressalvas na forma como o mundo foi estruturado e, principalmente, no que diz respeito à parte técnica. Se é divertido? É, sim – mas é bom ter ciência de suas limitações antes de qualquer coisa.

Vigil: The Longest Night foi gentilmente concedido pela Glass Heart Games para a realização desta análise

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