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Teoria do vazamento de laboratório: o que já se sabe (ou não)?

por iMove Web
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Apesar da maioria dos cientistas afirmar que o coronavírus provavelmente foi transmitido de um animal para o homem, a teoria de que o SARS-CoV-2 surgiu de um vazamento no Instituto de Virologia de Wuhan (WIV) ressurgiu nas últimas semanas.

No final de maio, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu para que a Comunidade de Inteligência do país investigasse as origens do vírus e relatasse as descobertas em até 90 dias.

Desde então, outros países como Austrália e Japão, além da União Europeia, também pediram uma investigação robusta sobre a origem da covid-19 na China.

Os países vêm pedindo mais transparência da região chinesa, que rejeita insinuações de um vazamento de um laboratório e pede para que outros países sejam investigados também. Como a China já reteve informações no passado no início da pandemia, dados cruciais de saúde pública foram suprimidos, de acordo com a Nature , as suspeitas de um “vazamento de laboratório” crescem mais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia reunido uma equipe de especialistas em 2020 para visitar Wuhan e descobrir a origem do vírus. A conclusão foi que a origem era provavelmente animal, mas que seriam necessários mais estudos.

Durante a Assembleia Mundial da Saúde, o diretor de emergência de saúde da OMS, Mike Ryan, pediu menos politização dos países pedindo pela investigação da origem do SARS-CoV-2: “Nos últimos dias, vimos mais e mais e mais discursos na mídia com pouquíssimas notícias reais, evidências ou novo material. Isso é perturbador”.

No geral, cientistas não têm evidências suficientes sobre as origens do coronavírus para descartar completamente a hipótese do vazamento ou provar o contrário (que o vírus vem de origem natural). Entenda os argumentos de cada lado:

Quais os principais argumentos para a origem natural?

Muitos pesquisadores especializados em doenças infecciosas concordam que a alternativa mais provável é que o vírus evoluiu naturalmente e se espalhou entre morcegos até ser transmitido para uma pessoa ou um animal intermediário. Tal teoria é semelhante ao que aconteceu com doenças como o HIV, surtos de Ebola e outros coronavírus.

Os morcegos são portadores conhecidos de coronavírus. Cientistas já determinaram que o genoma do SARS-CoV-2 é o mais semelhante ao do RATG13, coronavírus encontrado em um morcego no sul da China em 2013. Porém, o genoma do RATG13 é apenas 96% idêntico ao do SARS-CoV-2, sugerindo que há outro parente ainda mais próximo do coronavírus que ainda não foi descoberto. 

No final de maio, um relatório foi publicado no servidor de pré-impressão bioRxiv sugerindo que o RmYN02, um coronavírus encontrado em morcegos no sul da China, pode estar mais relacionado ao SARS-CoV-2 do que o RATG13. O estudo é recente e ainda será necessário mais pesquisas para determinar se o RmYN02 realmente é o parente desconhecido.

 

Quais os principais argumentos para um vazamento de laboratório?

Existem algumas teorias para tentar explicar o porquê a covid-19 pode ter vindo de um laboratório. Os pesquisadores podem ter coletado o SARS-CoV-2 de um animal e o mantido em seu laboratório para estudo ou podem tê-lo criado por meio da engenharia de genomas do coronavírus.

Em ambos os cenários, acredita-se que uma pessoa pode ter sido infectada pelo vírus (tanto acidental quanto deliberadamente) e espalhado para outras pessoas. Não há qualquer evidência científica para apoiar tais cenários, mas eles também não podem ser completamente descartados por enquanto.

O SARS-CoV-2 ainda não foi identificado em animais

O argumento que mais sustenta a teoria do vazamento de laboratório é que, mesmo um ano e meio após o início da pandemia, o parente mais próximo do SARS-CoV-2 ainda não foi encontrado em nenhum animal.

Seria isso preocupante? A Nature relata que cientistas demoraram 14 anos para descobrir a origem da epidemia de SARS e que, até o momento, o vírus do Ebola completo nunca foi isolado de um animal na região onde ocorreu o maior surto entre 2013 e 2016. 

Determinar a origem do vírus é difícil, porque os surtos entre animais, quando eles não são os principais hospedeiros, são esporádicos. Pesquisadores precisam encontrar o bicho antes dele morrer ou ser curado e, mesmo se encontrarem, ainda há outro desafio: os vírus na saliva, fezes ou sangue são frequentemente degradados e, portanto, é difícil sequenciar todo o genoma do patógeno.

Quanto a encontrar um animal hospedeiro intermediário, pesquisadores na China testaram mais de 80.000 animais selvagens e domesticados e nenhum testou positivo para SARS-CoV-2. Porém, o número é uma fração pequena dos animais do país, então seriam necessários testes mais estratégicos, isolando animais mais suscetíveis à infecção ou que têm contato próximo com pessoas.

O WIV é especializado em coronavírus

Outro ponto para a teoria do vazamento de laboratório é que o primeiro caso oficial foi registrado em Wuhan, na mesma cidade em que fica o Instituto de Virologia (WIV), laboratório que estuda o coronavírus para algumas pessoas, isso seria “coincidência demais”.

Já para Vincent Munster, virologista do Rocky Mountain Laboratorie, a situação indica o oposto: “Nove em cada dez vezes, quando há um novo surto, você encontrará um laboratório que trabalhará com esses tipos de vírus nas proximidades”, disse ele em entrevista à Nature.

Para pesquisadores, um surto de coronavírus em Wuhan não é surpreendente. A cidade tem 11 milhões de habitantes, aeroporto, estações de trem e mercados que vendem mercadorias e animais selvagens transportados de toda a região. O local torna fácil para um vírus entrar na região e se espalhar rapidamente.

Vale reforçar que vazamentos de laboratório registrados nunca causaram uma epidemia, apenas pequenos surtos bem documentados. Em 2004, por exemplo, dois pesquisadores foram infectados pelo vírus que causa a SARS em um laboratório de virologia em Pequim. Outras sete pessoas foram infectadas antes do surto ser contido.

O vírus tem algo que sugere criação em laboratório?

Vários pesquisadores foram atrás para determinar se as características do SARS-CoV-2 indicam o trabalho de bioengenharia, alinhado à teoria de que alguém teria deliberadamente criado a covid-19 para infectar humanos.

Uma das primeiras equipes a fazer isso, liderada por Kristian Andersen, virologista da Scripps Research, determinou que isso era “improvável” por alguns motivos, incluindo a falta de sinais de que houve manipulação genética.

O local de clivagem da furina, recurso que ajuda o vírus a entrar nas células, também foi parte do debate entre pesquisadores. Foi questionado como o SARS-CoV-2 teria esses locais, mas seus parentes próximos não. Porém, muitos outros coronavírus têm, sim, locais de clivagem da furina, como os que causam resfriados, por exemplo.

“Como os vírus que contêm o local estão espalhados pela árvore genealógica do coronavírus, em vez de confinados a um grupo de vírus intimamente relacionados, o local provavelmente evoluiu várias vezes porque fornece uma vantagem evolutiva”, explica Stephen Goldstein, virologista da Universidade de Utah, à Nature.

O nome para o que Goldstein explica é evolução convergente, processo pelo qual organismos que não estão intimamente relacionados evoluem com características semelhantes por se adaptarem a ambientes parecidos.

Quais os próximos passos das investigações?

O pedido de Biden à Comunidade de Inteligência para apresentar um relatório em até 90 dias indica que a próxima etapa da investigação deve vir após a conclusão das autoridades norte-americanas.

De acordo com o Wall Street Journal, os EUA supostamente teriam informações secretas de que três membros da equipe do WIV estavam doentes em novembro de 2019, antes dos primeiros casos serem relatados.

Porém, as autoridades norte-americanas “têm opiniões diferentes sobre a qualidade da informação” e pesquisadores do WIV afirmaram que toda a equipe do instituto testou negativo para a presença de anticorpos antes de janeiro de 2020.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Popular da China, Zhao Lijian, disse que os laboratórios dos EUA deveriam ser investigados e que algumas pessoas no país “não se importam com fatos ou verdades e têm interesse zero em um estudo sério das origens com base científica”.

Enquanto isso, a OMS também está pensando na próxima fase para seus estudos sobre a origem do vírus. 

“Queremos uma resposta”, disse Jason Kindrachuk, virologista da Universidade de Manitoba, à Nature. “Mas podemos ter que continuar juntando pedaços de evidências conforme as semanas, meses e anos avançam.”




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