RESENHA | Livro: A Trança – Laetitia Colombani

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Trança, ou seja, junção de três mechas, de três fios entrelaçados; é o melhor nome que o livro poderia receber. Eis nossa resenha de histórias repletas de intensidade, mesmo que em poucas páginas.

Ficha Técnica

Autor: Laetitia Colombani
Editora: Intrínseca
Ano de lançamento: 25/01/2021
Sinopse: Fenômeno de vendas internacional conta a história entrelaçada de três mulheres em continentes diferentes, mas com a mesma sede de liberdade.

Smita é uma intocável, membro da casta mais inferior da Índia. Seu grande sonho é ver a filha escapar da condição miserável em que vivem e ter acesso à educação formal. Na Sicília, Giulia trabalha como ajudante na oficina do pai. Mas, quando ele sofre um acidente e ela precisa assumir o comando, logo percebe que o negócio está à beira da ruína.

No Canadá, Sarah é uma advogada renomada. Quando está prestes a ser promovida a chefe no escritório em que trabalha, descobre estar gravemente doente.

Sem saber que estão conectadas por suas questões mais íntimas, Smita, Giulia e Sarah recusam o destino que lhes está reservado e decidem lutar contra ele. Vibrantes, suas histórias remontam a uma imensa gama de emoções muito familiares e que, por isso, tecem uma trama que fala sobre dois aspectos essenciais de nossas vidas: esperança e solidariedade.

 

Quote A Trança 2021


Introdução


O livro “A Trança” foi um dos indicados por nós como dos mais esperados lançamentos do ano, aqui no TG. Enfim recebe nossa resenha.

Conta-se três histórias bem diferentes, bem distantes e, ao mesmo tempo, bem próximas; assim como, impactantes.

De início fica praticamente impossível associar qualquer ligação entre as 3 mulheres. Uma, muito marcada pela vida; outra, ainda em formação; e por último, uma bem ajustada e muito dona de si. Assim se inicia a narrativa do livro “A Trança”, separada por capítulos, de 3 mulheres marcantes e marcadas; muito marcadas e mais marcantes.


Livro “A Trança”: Apresentando as Personagens Principais e Suas Histórias


Smita - A Trança

Smita

Da Aldeia de Badlapur, Uttan Pradesh – Índia, em um país dividido por castas, Smita, de idade indefinida (todavia, acredito que tenha menos de 30 anos) pertence a uma bem inferior. Ela é uma dalit, uma intocável, ou seja, relegada pela sociedade. Condenada por gerações a fazer trabalhos pelos quais ninguém deveria (recolher dejetos das latrinas, sem qualquer tipo de proteção), ela se empenha, de forma sobre-humana, a mudar o destino da única filha, a pequena Lalita de 6 anos. Smita está determinada a colocar a filha na escola.

Giulia - A Trança

Giulia

A jovem de Palermo, Sicília – Itália, de pouco mais de 20 anos, parece estar começando a vida. Já trabalha, e com afinco, na empresa familiar especializada em “cabelos”, um ateliê que faz perucas com cabelos de verdade e afins. Após um terrível acidente com o pai, e o encontro com um estrangeiro muito charmoso, a vida da garota muda completamente.

Sarah - A Trança

Sarah

Uma mulher com pouco mais de 40 anos, muito realizada e que está prestes a conseguir a promoção profissional dos sonhos. Na cidade de Montreal, Canadá, Sarah é totalmente voltada para o trabalho. Foi capaz de esconder as duas gestações, incluindo a última que foi de gêmeos, quase não se ausentou no pós parto – com 5 dias de vida a primeira filha já tinha babá. Por tanto foco, era divorciada duas vezes e não tinha outro relacionamento amoroso ou outra atividade, que não num grande escritório de advocacia no qual almejava o breve posto de sócia. Porém, algo terrível, e fora de seu controle, acontece e a faz perceber muita coisa.


Livro “A Trança”: o Desenvolvimento


Desde já há de se perceber que elas não se encontram pessoalmente, mas, embora muito diferentes, elas têm muita semelhança – um paradoxo perfeito para a trama; e de certa forma, se encontram sim – não apenas metaforicamente, mas deixo a seu cargo, leitor.

Fé e Decisão

As histórias se intercalam conforme os 26 capítulos são descritos, todos pessoais, porém em terceira pessoa. Smita é a primeira a dar voz e contar sua história, de uma forma humilde e muito devota – a religião é algo muito forte na Índia. Ela conta dos terrores de, aos 6 anos, já acompanhar a mãe a fim de aprender o “ofício” de pegar com as mãos desnudas as fezes da casta mais abastada da região. Lembra-se do cheiro terrível e da tremenda ânsia que nunca passou. De certa forma, isso a determinou a definir um outro destino para a filha, mesmo indo contra o marido e o mundo que já havia decidido por ela e pela sua descendência.

Smita não é o tipo de mulher que abaixa a cabeça. Mantendo o orgulho e a fé, sempre olhando para a filha “Lalita”, e não para si mesma, ela decide pela luta e não pela resignação ou ao único fio de esperança na crença de reencarnar em uma vida melhor, cultura existente e persistente.

“Enquanto caminham, Lalita ergue os olhos para a mãe, preocupada: não são os caminhões que a assustam, mas este mundo novo, que seus pais desconhecem, no qual terá de penetrar sozinha.”

Nada contra o pensamento de reencarnação, deixo claro. Mas, se acomodar e aceitar o que vier, sem luta, é decisão de cada um. Smita tomou seu partido. Ela é uma mulher de poucas palavras, todavia, tem muita atitude.

“… Você nunca mais irá baixar a cabeça ou os olhos. Smita gostaria tanto de dizer tudo isso para ela. Mas não sabe como expressá-lo, como dizer à filha suas esperanças, seus sonhos meio malucos… Então, se inclina para ela e diz, simplesmente: Vá.”

Livros e a Vida

Giulia é uma devoradora de livros. Passava a noite lendo, nem comia direito para aproveitar os horários numa boa leitura. Curte Emílio Salgari, da poesia de Gosta de Caproni, a prosa de Moravia e das palavras de Pavese, seu autor de cabeceira. No entanto, quando acontece uma tragédia com o pai, dono de um dos poucos ateliês, especializado em “cabelos de verdade”, da região; sua vida dá um salto. Os livros não parecem tê-la ensinado tanto quanto aqueles poucos dias posteriores à notícia da internação do pai.

Logo, ela encontrou um jovem, fortemente ligado a uma religião peculiar, vindo de um país distante e habitando na região fazia alguns anos. Falava bem o idioma e tentava se aprimorar, por meio da leitura, na forma escrita. Apesar de terem se encontrado na biblioteca, e ali ser um dos pontos de encontro favoritos de ambos, foi por meio de uma ação injusta que os olhares se encontraram pela primeira vez. Desde então, não se largaram.

Apesar dos pesares, com pouca idade, Giulia assume a empresa familiar, mas terá que driblar muita coisa para mantê-la de pé. O namorado peculiar e charmoso irá ajudá-la.

“… Leitora insaciável, gosta de ambientes de salas imensas revestidas de livros, só perturbado pelo sussurrar das páginas. É como se fosse um lugar quase religioso, um recolhimento quase místico, que lhe agrada.”

Tempo e Preconceito

Sarah é uma mulher metódica, cronometrada, cada segundo é contado. Advogada brilhante, está eufórica pela certa possibilidade de se tornar uma das sócias de um grande escritório. Apesar dos pensamentos contra a idade, por ter passado dos 40, ela não tem tempo para ficar se lamentando. No entanto, porém, todavia, terá de arranjar tempo verdadeiro para si… Um tempo pelo qual não despendeu nem aos filhos: os pequenos gêmeos e a sensível, carismática (no sentido literal da palavra) e empata filha mais velha quase adolescente; ou aos ex-maridos. Essa obrigatoriedade de tempo fora do trabalho, a faz perceber melhor o mundo em que vive e o preconceito que está prestes a enfrentar.

“… Às pessoas já não veem nela uma mulher de quarenta anos, brilhante, elegante, eficiente, veem a encarnação da sua doença.”

Ela se torna uma intocável. Relegada. Às margens da sociedade. Tal qual a indiana Smita.

Quote 2 - Livro A Trança


Considerações Finais


Pois é…ELAS não sabiam que era impossível, então fizeram (adaptação de Mark Twain, citado no livro).

Smita agiu sozinha, movida pela filha!

Giulia, com a ajuda do namorado, tomou as rédeas por uma família que pouco conseguia se mover, totalmente dependente do patriarca, já não ativo.

Sarah se permite ouvir outras pessoas e, após um período de fraqueza – totalmente descomunal para ela, se vê decidida como nunca.

As três histórias se entrelaçam. Os três continentes se abraçam. E as três mulheres se apoiam, ainda que nunca tenham visto uma a outra.

Giulia menciona, por diversas vezes, a respeito da própria religião (cristã católica), bem como na do jovem namorado, que não lhe permite cortar os cabelos (ironia quanto à profissão da Giulia?), tomar bebidas alcoólicas e outros. Assim como Smita, que se agarra em sua fé – na religião e na vida.

Giulia também diz querer ser advogada em certo trecho, profissão que é a vida de Sarah.

Enfim, o livro “A Trança” contém histórias maravilhosas e inspiradoras, totalmente voltadas para a realidade. Não é à toa que é um best-seller mundial, publicado em mais de 30 países, com mais de 1,4 milhão de livros vendidos na França e vai virar filme neste ano de 2021.

É importante ler e levar dos conhecimentos adquiridos por meio de tal para a vida real!

“Eu vivi mil vidas e amei mil amores. Andei por mundos distantes e vi o fim dos tempos. Porque eu li.” – George R.R. Martin


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Leia mais sobre livros AQUI, no TG.



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