R$ 20 bi para dentro: empresas brasileiras captam fora a menos de 4%

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É meio de janeiro e as empresas brasileiras já captaram quase 3,67 bilhões de dólares —  ou 19,5 bilhões de reais — em títulos de dívida com prazos que variam de cinco a dez anos. Muitas delas alcançaram o menor custo registrado em sua história nessas recentes emissões. Taxas jamais pensadas para companhias brasileiras.

Já foram ao mercado beber na caudalosa fonte da liquidez internacional, a fabricante de embalagens de papel Klabin — inaugurando as operações brasileiras, logo na primeira semana do ano —, os bancos BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), o Itaú Unibanco, a holding Simpar, cujos negócios nasceram em torno da empresa de logística JSL,  a empresa de proteína animal Marfrig e usina de etanol de milho FS, na reabertura de uma operação do fim de 2020 (afinal, o que custa captar mais um pouquinho?).

Entre os emissores, bancos e companhias com parte relevante da receita em moeda internacional. A única que tem faturamento predominantemente no Brasil — e sem correlação com commodities internacionais — é a Simpar.

Todos os grandes grupos, emitiram com taxas inferiores a 4% ao ano. Mais uma vez, a única exceção foi a Simpar, que pegou dinheiro a 5,20% para refinanciar uma “parede” de vencimentos em 2024. A transação também pode ser considerada a primeira dessa holding, uma vez que houve uma grande reestruturação societária e reorganização do grupo no ano passado.

Já a Klabin, por exemplo, antes mesmo de ser considerada uma empresa com grau de investimento, captou 500 milhões de dólares a 3,20%, apenas 10 bps a mais do que a Suzano no fim de 2020 — essa sim, investment grade. Sempre lembrando, claro, que a Suzano obteve a menor taxa de uma companhia brasileira não financeira. A menor em termos absolutos foi a do BTG Pactual (2,95%), para papéis de cinco anos. Itaú e Marfrig levantaram recursos com vencimento em 10 anos, ao custo de 3,95%.

O componente comum das operações? Compromissos sócio-ambientais. Teve green bond, sustainability linked-bond e sustainability bond — em breve deve ter até “gender bond’. Os coordenadores das operações afirmam que a lista de papéis possíveis é grande e a atividade deve continuar forte, tanto com títulos conhecidos como com espaço para inovações.

A sigla para ambiental, social e governança (ESG) deu as caras nem bem 2021 começou. A temática esteve presente em absolutamente todas as operações do ano, até agora.

Para justificar a redução das taxas veio logo de cara o neologismo: “greenium”, mistura de green com premium. Mas, verdade seja dita, ninguém ainda consegue separar o que é prêmio, de fato, pelas boas práticas e o que é simplesmente reflexo de um excesso de recursos à disposição no mundo, quando as taxas dos governos está no piso histórico — basta olharmos para o Brasil, sua situação econômica e a Selic no piso histórico de 2% ao ano.

Na dúvida, enquanto for possível, todo mundo vai querer ser verde, social e engajado. A previsão em 2020, afinal, é que exceção seria “não ser”. Só não se sabia que isso seria tão já.

O próprio Tesouro Nacional bebeu na mesma fonte. Em junho, captou 3,5 bilhões de dólares e os papéis com vencimento em 2030 saíram a 4%. Em dezembro, o Brasil voltou aos investidores internacionais para obter outros 2,5 bilhões de dólares: os títulos para 2030 oferecem remuneração de 3,45% e, para 2050, 4,5%.

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