Petrobras: vale a pena aproveitar a queda para investir nas ações? | Invest

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As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) encerraram o pregão da segunda-feira, 22, cotadas a 21,45 reais, depois da forte queda de 21,51%. No caso das ordinárias (PETR3), o preço foi para 21,55 reais, com recuo de 20,48%.

A variação negativa nos papéis da petroleira aconteceu após a mudança anunciada por Jair Bolsonaro no comando da empresa na última sexta-feira (19). A dúvida que fica para muitos investidores em relação À companhia é: é uma boa oportunidade para comprar ações da companhia ou o momento ainda é de cautela?

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De acordo com o sócio e analista de empresas do setor de óleo e gás do BTG Pactual, Thiago Duarte, a Petrobras é uma companhia que, se gerida de forma coerente, com a continuidade dos fundamentos que estavam sendo implementados na última gestão, pode ter um upside (potencial de alta) muito interessante.

“A Petrobras já era relevante antes de cair como está caindo, passaria a ser mais relevante ainda com o preço de agora. Só que o outro lado da moeda ainda pode ser muito danoso”, afirmou Duarte.

O especialista, porém, alertou para o risco de incerteza atual em relação à nova gestão da empresa e a comparou, no momento, como “jogar uma moeda pra cima”. Ou seja, o futuro da estatal é muito incerto até que os objetivos da nova gestão fiquem claros.

“Até termos algum tipo de clareza do que pode ser essa nova Petrobras, sabendo que ano que vem é ano de eleição, que o câmbio está estressando, o próprio petróleo está subindo e isso em tese demandaria novos reajustes de preço, estamos confortáveis em não recomendar a ação neste momento”, destacou o analista do BTG.

As análises de Duarte foram feitas em live realizada pela EXAME Invest Pro, apresentada pelo head de Investimentos da EXAME Invest, Renato Mimica.

Mimica, que também é analista de investimentos e possui 15 anos de experiência no mercado, complementou a fala de Duarte destacando que há outros papéis na bolsa com relação de risco/retorno mais interessantes, neste momento, do que os da Petrobras.

Qual a referência do mercado para analisar a situação da Petrobras?

O setor de refino da Petrobras sofreu com longos períodos operando no prejuízo, como entre 2011 e 2014, por exemplo. O fato ocorreu porque o governo da época, da ex-presidente Dilma Rousseff, decidiu segurar reajustes nos combustíveis para era evitar a alta da inflação.

A estatal petroleira acumulou prejuízos que, somados, se aproximaram de 100 bilhões de reais por causa disso e se viu em um beco sem saída: sofria pressão por resultados financeiros positivos e, por outro lado, era usada pelo governo para suavizar o preço do combustível.

“O mercado vai usar sempre como referência o que aconteceu com a Petrobras entre 2011 e 2014, quando ela fez tudo ao contrário do que eu estava defendendo há pouco, sobre não subsidiar o preço do combustível e realizar desinvestimentos para focar na área em que atua melhor. Na época, a empresa fez um plano de investimento muito maior do que ela vinha fazendo nos últimos anos, o que se traduziu em muita perda de rentabilidade”, relembrou Duarte.

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