Petrobras: 5 fatores que favorecem a empresa mesmo com 2ª onda de covid-19

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Petrobras: 5 fatores que favorecem a empresa mesmo com 2ª onda de covid-19

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Embora a Petrobras tenha registrado prejuízo de 1,54 bilhão de reais no terceiro trimestre, o ambiente continua favorável para a companhia, segundo analistas ouvidos pela EXAME. Diante de uma segunda onda de contaminação de covid-19 no mundo, o fôlego financeiro da petroleira se mostra fundamental não só para sua sobrevivência mas também para garantir longevidade dos negócios no longo prazo.

Bruno Lima, analista de renda variável da EXAME Research, explica que o prejuízo da Petrobras no terceiro trimestre foi meramente contábil, decorrente principalmente de despesas financeiras inesperadas.

“Diante do cenário adverso na indústria de petróleo, o resultado da Petrobras veio muito bom, com um desempenho operacional excelente”, diz o especialista.

Na última semana, agentes do mercado acompanharam com apreensão os anúncios de lockdown na Europa e fechamentos pontuais nos Estados Unidos, diante de uma segunda onda de contaminação da covid-19. Com isso, os preços do petróleo e o valor das ações da Petrobras foram atingidos em cheio. No entanto, o mercado continua otimista com o desempenho da estatal e alguns fatores tornam a Petrobras um destaque no setor de commodities para os investidores.

1. Queda de custos

Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, 29, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, afirmou que a companhia registrou a maior queda de custos de produção em dez anos.

Segundo o executivo, o lifting cost — valor após extração do petróleo, pagamento de royalty e do custo operacional — total da companhia é de cerca de 4 dólares e, na camada do pré-sal, de pouco mais de 2 dólares. Uma das únicas empresas com um custo tão competitivo no mundo é a estatal saudita Saudi Aramco.

2. Produtividade

Entre outros feitos, a Petrobras registrou a maior produção mensal em um poço na história da indústria brasileira, no campo de Búzios. “O pré-sal continua aumentando sua participação na produção total da companhia. Somente o campo de Búzios representa quase 40% da produção em águas ultraprofundas”, diz Carlos Alberto Pereira de Oliveira, diretor executivo de exploração e produção da companhia.

Com o aumento exponencial da produção, o custo fixo da companhia tende a cair cada vez mais, contribuindo para a sustentabilidade do negócio no longo prazo. “Se o preço do petróleo subir apenas um pouco mais, a Petrobras vai ser ainda mais vantajosa”, diz Lima.

3. Redução da dívida

Ao final do terceiro trimestre, a companhia conseguiu reduzir a dívida bruta em 11,6 bilhões de dólares. Com esse resultado, o montante total ficou em 80 bilhões de dólares no período, abaixo da meta de 87 bilhões para 2020.

Castello Branco destacou na conversa com analistas que, embora a empresa tenha revisado a política de dividendos para pagar proventos mesmo com prejuízo contábil — algo que segundo ele está previsto na Lei das SAs — a administração continuará austera. “Não vamos nos endividar para pagar dividendos”, garantiu o executivo.

4. Desinvestimentos

Castello Branco reforçou que alguns dos 47 ativos da companhia à venda já estão em fase avançada de negociações, o que deve contribuir para reduzir o endividamento e, consequentemente, dar mais fôlego financeiro.

“Não controlamos o ambiente externo, o dólar e o preço do barril. O que podemos e estamos fazendo é desalavancar a companhia e reduzir custos, em um esforço diário para superar essas variáveis que não controlamos”, disse o executivo.

5. Aprendizado

Durante a primeira onda de contágio da covid-19, o mercado global passou por um verdadeiro pânico, com os contratos futuros do petróleo sendo negociados no terreno negativo pela primeira vez na história.

Para o analista da EXAME Research, é possível que o mercado se comporte de maneira mais “racional” dessa vez, com menos oscilações drásticas de oferta e demanda, o que trouxe quebras significativas nas cadeias globais, que até hoje estão longe de se recuperar.

Além disso, pontua Lima, hoje o número de poços de petróleo sendo perfurados no mundo — especialmente nos Estados Unidos, onde a indústria de shale gas foi devastada — é muito menor do que no início da pandemia.

“Se olharmos para os preços dos contratos futuros de petróleo na casa dos 44 dólares para 2022, a Petrobras está muito bem posicionada. O valuation atual da companhia não é justo, deveria ser maior”, diz o analista.

Fonte: Exame

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