ECONOMIA

Para gestora global, emergentes estão mais preparados para alta inflação nos EUA do que em 2013

SÃO PAULO – O avanço acelerado da vacinação nos Estados Unidos, a reabertura da economia, os estímulos fiscais e monetários e a alta nos preços das commodities tem feito crescer no mercado o temor de que a inflação americana siga em patamares elevados nos próximos meses, exigindo que o Federal Reserve (Fed) mude sua postura estimulativa e inicie um movimento de aperto monetário. O cenário previsto à frente não é, contudo, necessariamente negativo para os países emergentes, segundo análise da gestora britânica Ashmore.

Em relatório publicado no fim de maio, a asset com cerca de US$ 93 bilhões em ativos sob gestão escreveu que, diferentemente do que aconteceu em 2013, quando o Fed sinalizou que iria diminuir a compra de ativos e subir os juros – tornando o país mais atrativo para recursos que haviam buscado retorno em outras praças –, os mercados emergentes estão hoje mais preparados para o cenário de alta da inflação americana e com um consequente aperto das condições monetárias nos Estados Unidos.

Há oito anos, o “Taper Tantrum”, como ficou conhecido o movimento do Fed na ocasião, fez com que as previsões do mercado de uma política monetária menos estimulativa nos Estados Unidos levassem a uma forte alta do dólar e a grandes saídas de fluxos de mercados emergentes, recordam os gestores da Ashmore.

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Para-choque

Entre as principais diferenças de 2021 para 2013, a gestora britânica destaca que as taxas de juros reais devem permanecer baixas nos Estados Unidos, mesmo após uma mudança de postura por parte do Federal Reserve.

Isso porque, na avaliação da Ashmore, a inflação americana em níveis mais elevados do que nos últimos anos e uma postura mais cuidadosa do banco central dos Estados Unidos na comunicação junto ao mercado devem contribuir para manter os prêmios na renda fixa em patamares inferiores aos observados há oito anos.

A gestora chama atenção ainda para as condições econômicas mais favoráveis nos mercados emergentes, com um superávit em conta corrente de mais de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), em média, ante déficits de cerca de 2% do PIB em 2013.

Com relação ao câmbio, os gestores da Ashmore lembram que as moedas de emergentes estão próximas das mínimas históricas, tanto em termos nominais quanto reais, ao passo que em 2013 estavam em níveis consideravelmente mais altos.

O aumento nos preços das commodities no cenário atual de reaquecimento da atividade global é outra diferença importante apontada pelos especialistas para suportar a visão mais positiva para os emergentes dessa vez, lembrando que as matérias-primas estavam em um ciclo de baixa há oito anos.

Por último, a Ashmore destaca ainda que a exposição de investidores estrangeiros aos mercados emergentes é hoje bem menor do que a vista em 2013, com espaço, portanto, para que os fluxos de capital internacional voltem em busca de rendimentos mais atrativos.

“Um aperto da política monetária não deve levar a um aumento acentuado das taxas de juros no
curto prazo e a tendência de depreciação do dólar, iniciada em abril do ano passado, deve permanecer. Este não é um ambiente ruim para os mercados emergentes de forma alguma. São regiões muito mais resilientes do que em 2013, e por isso não há porque temer uma repetição do ‘Taper Tantrum’ de 2013”, escrevem os gestores da Ashmore.

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