Os melhores e os piores investimentos de novembro de 2020

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Os melhores e os piores investimentos de novembro de 2020

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Novembro foi um mês de virada para grande parte dos investimentos. As boas notícias relacionadas aos resultados das vacinas contra o novo coronavírus, a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos e a perspectiva de um 2021 menos turbulento mudaram o ânimo dos investidores e criaram condições para uma alta na rentabilidade das aplicações.

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O grande destaque do mês foi o segmento de renda variável. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, subiu quase 16% no mês. As ações puxaram o desempenho dos fundos que investem nesses ativos, e a categoria de renda variável teve o melhor mês desde o início do ano. Com a perspectiva de fim da pandemia do coronavírus, ainda que não se saiba quando isso acontecerá, a trajetória dos juros ficou mais sob controle, o que estimulou um bom desempenho também da renda fixa. O risco de o governo não conseguir controlar suas despesas, no entanto, continua no radar do mercado.

Por fim, os ativos relacionados ao câmbio sofreram em novembro, em razão principalmente da queda de mais de 7% do dólar. Os fundos cambiais, por exemplo, registraram uma desvalorização bem similar à da moeda norte-americana: -7,17%.

“Temos um ambiente global bastante atrativo para investimentos, a despeito da chegada da segunda onda de coronavírus. Os estrangeiros estão aumentando suas posições nos mercados emergentes, o que indica que há ambiente para tomada de risco. Esse ambiente pode garantir um rali de fim de ano”, afirma Juliana Machado, especialista em fundos de investimento da EXAME Research.

Veja abaixo o ranking dos principais ativos de renda variável:

Investimento Desempenho em novembro (em %) Desempenho no ano (em %) Desempenho em 12 meses (em %)
Fundo de investimento mono ação 27,97 2,9 7,21
Fundos de ações indexados 16,94 -5,07 1,53
Fundos de ações índice ativo 15,5 -6,5 0,99
Fundos de ações dividendos 14,82 -11,08 -3,62
Fundo de ações small caps 14,07 -9,31 2,61
Fundos cambiais -7,17 33,02 27,28

*A rentabilidade dos fundos vai até o dia 25 de novembro, dado mais atual disponível na Anbima.

Referência

Índice Desempenho em novembro (em %) Desempenho no ano (em %) Desempenho em 12 meses (em %)
Ibovespa 15,9 -8,16% 0,6%

Os fundos mono ação foram destaque do mês, embora eles reflitam essencialmente a valorização de alguns dos principais papeis da bolsa, como as ações da Vale, da Petrobras e do Magazine Luiza. Esses fundos, como o nome sugerem, aplicam o patrimônio em papéis de uma única empresa. “Esse tipo de fundo fazia sentido quando o acesso à bolsa era mais restrito. Agora não faz mais tanto sentido, pois o pequeno investidor consegue ter uma carteira diversa, mesmo que não tenha muito dinheiro para aplicar, inicialmente. Ele consegue comprar, por exemplo, ações fracionadas na bolsa”, diz Juliana.

A principal exceção ao bom movimento da renda variável foram os fundos cambiais. Além de terem sido influenciados negativamente pela desvalorização do dólar, os fundos que aplicam em títulos do exterior ainda foram afetados pelo crescimento de casos de coronavírus na Europa e nos Estados Unidos, o que aumentou a instabilidade nesses mercados.

Já os ativos de renda fixa tiveram um comportamento menos volátil, embora o quadro geral tenha sido também positivo. Veja abaixo o desempenho mensal de alguns dos principais ativos do segmento:

Renda fixa

Investimento Desempenho em novembro (em %) Desempenho no ano (em %) Desempenho em 12 meses (em %)
Tesouro IGPM+ com juros semestrais 2031 3,21 22,09 24,32
Tesouro IGPM+ com juros semestrais 2021 3,06 24,04 26,67
Tesouro IPCA+ 2045 2,29 -10,83 -11,11
Tesouro IPCA+ 2035 1,80 -4,16 -3,91
Fundos de renda fixa duração alta soberano 0,96 1,16 2,47
Fundos de renda fixa duração alta grau de investimento 0,77 6,66 9,95
Fundos de renda fixa indexados 0,68 2,99 3,94
Tesouro prefixado com juros semestrais 2021 0,13 4,26 4,71
Poupança** 0,11 1,87 2,28
Tesouro Selic 2023 0,11 2,25 2,63
Tesouro prefixado com juros semestrais 2029 0,10 1,94 2,97
Tesouro Selic 2025 -0,01 1,69 2,08

Referência

Índice Desempenho em novembro (em %) Desempenho no ano (em %) Desempenho em 12 meses (em %)
CDI 0,16 2,58 3

*A rentabilidade dos fundos vai até o dia 25 de novembro, dado mais atual disponível na Anbima.
*O desempenho mensal dos títulos e da poupança se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento

Os títulos do Tesouro Direto voltaram a ter um mês positivo, depois de dois meses ruins. As opções atreladas ao IGP-M, que têm se destacado desde o início do ano, tiveram outra alta sólida. A valorização desses títulos no mercado secundário se deve à própria variação do IGP-M, que acumula crescimento de quase 22% no ano.

A novidade foi o aumento da procura por títulos do Tesouro Direto atrelados ao IPCA. Esses títulos, principalmente os de vencimento longo, sofreram bastante ao longo do ano. O Tesouro IPCA+ 2045, por exemplo, subiu mais de 2% no mês, mas ainda acumula perdas de mais de 10% no ano. “Houve, sim, uma melhora de expectativas de curto prazo, mas a procura maior por esses papéis também reflete uma tentativa do investidor de se proteger da inflação. O IPCA está subindo, e a diferença da inflação para a taxa básica de juros só tem crescido”, diz Alan Ghani, especialista em renda fixa da EXAME Research.

A diferença entre a inflação e a taxa básica de juros, a Selic, resulta no chamado juro real. Atualmente, a taxa Selic está em 2% e o IPCA calculado para o fim de 2020 é de 3,5%. Quando o juro real está negativo, como agora, o investidor que aplica em títulos que seguem a taxa Selic ou o CDI está perdendo para a correção de preços, pois o rendimento é menor que a própria inflação.

O caso da poupança é pior ainda. A caderneta de poupança acumula alta de apenas 1,87% no ano, frente um CDI de 2,58%. O rendimento da velha caderneta representa, portanto, cerca de metade da inflação projetada para o ano. Isso significa que quem deixou o dinheiro aplicado na poupança perdeu poder de compra, ao invés de ter algum rendimento real.

“Temos um risco ainda elevado, muito em função da situação fiscal do governo. Mas houve um clareamento do cenário, uma redução de incerteza, o que puxou a taxa de juros para baixo. Óbvio que ainda tem muito componente de risco, mas a expectativa é de retomada gradual econômica, o que aumentaria a arrecadação do governo e reduziria o impacto fiscal”, avalia Ghani.

Ele pondera que esse cenário otimista pode não se sustentar se o governo não conseguir encaminhar nenhum tipo de reforma que estimule o crescimento da economia ou que ajude a controlar as despesas até o início de 2021.

Ponderações

Para todos os investimentos, a orientação é sempre lembrar que a rentabilidade passada não significa garantia de rendimento futuro. Também é importante mencionar que o ranking de investimentos considera a rentabilidade bruta das aplicações, sem descontar o Imposto de Renda (IR).

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