Os efeitos do assédio moral no trabalho podem durar anos

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Os efeitos do assédio moral no trabalho podem durar anos

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Os efeitos do assédio moral no trabalho têm um alto custo psicológico. Portanto, não é estranho que a OMS e as organizações de saúde tratem o mobbing como um dos principais problemas a nível organizacional. Além disso, estamos diante de um fenômeno que está em expansão: há cada vez mais denúncias, mas ainda assim, os mecanismos de ação e prevenção são insuficientes.

Apesar de cada vez mais pessoas denunciarem esta situação, os sindicatos indicam que são muitos os trabalhadores que não têm coragem de fazer isso. A dificuldade na hora de demonstrar o assédio, a burocracia e a lentidão judicial fazem com que muitos desistam, com as consequências decorrentes dessa decisão.

De acordo com a Asociación de Alto al Mobbing (ASAM), a situação é muito mais complexa para os funcionários. Médicos, enfermeiros, professores, policiais… São muitos os homens e mulheres que ficam em silêncio em seu dia a dia por medo de perder seus empregos, criando um tipo de realidade na qual o desgaste é constante e profundo, alcançando extremos tão graves quanto o suicídio.

Especialistas no tema, como o psicólogo Heinz Leymann, que desenvolveu o primeiro inventário de assédio moral em 1980, destacou que uma boa parte dos suicídios ocorridos todos os dias no mundo são motivados pelo assédio moral no trabalho.

A intimidação constante no entorno profissional vai muito além de uma situação de estresse. Estamos diante de um tipo de violência que precisa ser reconhecida e enfrentada.

Homem estressado em pausa no trabalho

Os efeitos do assédio moral no trabalho: o estresse pós-traumático

Os efeitos do assédio moral no trabalho têm sido estudados por áreas como a psicologia, a medicina e a economia. No entanto, chama a atenção que uma das figuras que mais se dedicou ao estudo deste fenômeno tenha sido Konrad Lorenz, um etólogo eminente. O mesmo definiu o mobbing como o mesmo tipo de comportamento violento que diversas espécies apresentam na natureza.

São animais que se agrupam para atacar o membro mais fraco da sua própria espécie, ou o mais forte para roubar sua posição de destaque no grupo. Heinz Leymand, por sua vez, definiu este comportamento como uma forma de terror psíquico. Isso é algo que ocorre quando um membro ou um grupo determinado exerce comportamentos violentos direcionados a uma vítima.

Esta pessoa sofre uma estigmatização sistemática, diferentes tipos de injustiças e a violação constante de seus direitos como ser humano. Leymand também destaca que pode ocorrer violência física, agressões através de empurrões, pancadas, acidentes provocados e, no caso das mulheres, também pode haver situações de agressão sexual.

Assim, o impacto desses fenômenos, como podemos imaginar, é imenso. Além disso, os efeitos do assédio moral no trabalho podem durar anos.

As doenças cardiovasculares

Segundo um estudo da Universidade de Copenhagen, o mobbing mantido ao longo do tempo eleva em até 60% o risco de sofrer de algum tipo de doença cardiovascular. Além disso, os infartos são muito comuns entre muitas dessas pessoas que silenciam seu sofrimento e não se atrevem a denunciar.

Transtornos do sono

Entre os efeitos do assédio moral no trabalho, não podemos deixar de mencionar os transtornos do sono. A insônia, os despertares frequentes e os pesadelos levam a pessoa a um estado de esgotamento muito pronunciado.

Algo assim não apenas impacta a produtividade do trabalhador, mas também afeta profundamente o seu humor, podendo inclusive aumentar o risco de sofrer algum acidente de trânsito por dirigir em um estado de cansaço.

Mulher exausta no trabalho

Transtorno de estresse pós-traumático

A Universidade de Florença realizou um trabalho interessante em 2016 publicado na revista Frontiers in Psychology. Este estudo analisou os efeitos do assédio moral no trabalho a nível mental, descobrindo algo relevante que devemos levar em conta: o mobbing mantido no tempo apresenta os mesmos sintomas que o estresse pós-traumático.

  • Às vezes, mesmo que a vítima tenha deixado seu emprego, ela reage com angústia, com medo, ira e tristeza ao pensar ou observar estímulos que a lembrem do que viveu no trabalho.
  • Surgem comportamentos de evitação: ela evita todos os cenários, pessoas ou estímulos que possam recordar as vivências do mobbing e o entorno do trabalho.
  • Flashbacks: o surgimento de imagens mentais que relembrem a experiência é algo recorrente nessas vítimas.
  • Perdas de memória e problemas de concentração. A pessoa que sofre o assédio costuma apresentar problemas na hora de recordar coisas simples, tem dificuldade de concentração e apresenta um rendimento cognitivo inferior.
  • Além disso, surgem todas as características associadas de forma direta ou evidente ao transtorno de estresse pós-traumático: insônia, ansiedade, baixa autoestima, baixa sensação de controle, pensamentos distorcidos, etc.

Este quadro de sintomas pode durar meses ou até anos. É imprescindível que toda pessoa que esteja passando por estas circunstâncias busque ajuda. Os mecanismos de apoio, assistência legal e psicológica devem ser mais rápidos, próximos e eficazes.

Por último e não menos importante, cabe destacar mais um aspecto. Mesmo que a pessoa afetada consiga sair do seu emprego ou tenha suas condições de trabalho melhoradas, ela não deve negligenciar a sua saúde mental.

O assédio moral deixa uma marca, nos altera e prejudica o nosso potencial humano. É necessário buscar ajuda especializada para curar esta ferida e recuperar a autoestima, a vontade de continuar progredindo na vida pessoal e profissional.

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