Madame Butterfly, uma ópera sobre o amor e a perda

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Madame Butterfly é uma ópera incrível sobre amor e devoção, que também aborda os profundos problemas sociais trazidos pela Segunda Guerra Mundial. A ópera é estrelada por um abusivo oficial do Exército dos EUA e uma jovem japonesa inocente.

Esta ópera é uma das peças mais truculentas do repertório operístico ocidental. Madame Butterfly vem surpreendendo os seus espectadores há mais de um século com um enredo incrível e música excepcional.

Lançada em 1904, Madame Butterfly é uma ópera do grande compositor italiano Giacomo Puccini. Acompanha a história de Pinkerton, um oficial americano em Nagasaki. Com a ajuda de um cafetão sem escrúpulos, Cio-Cio-San será induzida a se unir temporariamente a Pinkerton.

O oficial parte logo depois, deixando Cio-Cio-San sozinha e grávida. Durante três anos, a jovem cria o seu filho esperando a volta do seu amor. No entanto, Pinkerton contou mentiras para a jovem: nunca pensou em se casar com ela de verdade, nem em procurá-la novamente para levá-la para a América.

Desta forma, quando ele finalmente retorna, Pinkerton está com a sua “verdadeira” esposa americana, Kate. Cheia de tristeza, Butterfly entrega o seu filho a Pinkerton na esperança de que ele o leve para a América para que cresça com mais oportunidades. O resto é história; a tragédia se mostra e o espectador não pode deixar de sentir a dor e a agonia que a peça evoca.

Madame Butterfly
Butterfly lamenta a perda de Pinkerton

Em uma cena final, cheia de drama e tristeza, Butterfly se suicida. Ela não consegue suportar a traição de Pinkerton e a separação de seu filho.

Comovente, incômoda, trágica e dolorosa, Madame Butterfly é uma das óperas que melhor sobreviveram ao passar do tempo, embora nem sempre tenha sido vista com os mesmos olhos. Como podemos entender essa ópera atualmente? Como a visão da obra mudou ao longo do tempo?

Uma olhada no roteiro de Madame Butterfly

Além da beleza da música, Madame Butterfly é uma história de engano e decepção. O público na época a recebeu com vaias e piadas: consideraram o comportamento de Cio-Cio-San condenável.

O público achou que Butterfly era uma libertina sexual e considerou a sua dor uma justa punição pelos seus pecados. No entanto, Puccini estabeleceu claramente desde o primeiro ato que Cio-Cio-San era inocente, que ela havia sido vítima de uma mentira e que acreditava estar legalmente casada com Pinkerton.

Puccini desenvolveu o personagem Pinkerton como o vilão da história. O compositor fez um esforço para mostrar como Pinkerton seduz e engana a menina para abusar dela.

Após a Segunda Guerra Mundial, muitos soldados americanos levaram as suas esposas estrangeiras para morar nos Estados Unidos. Desta forma, muitas mulheres japonesas esperavam partir para o novo continente na esperança de ter uma nova vida.

Madame Butterfly
Madame Butterfly no Metropolitan Opera House de Nova York

Neste contexto, Cio-Cio-San surge como uma jovem pobre, que se une a um americano na esperança de ter um futuro melhor. Pinkerton, o perverso personagem oficial estrangeiro, personifica todos os homens que abusam da sua posição de poder.

Durante o segundo ato, já “casados”, Cio-Cio-San e Pinkerton devem se separar. Pinkerton está voltando para a América com o resto de sua tropa. Como resultado, Butterfly fica arrasada, mas Pinkerton promete que voltará para buscá-la.

Em uma das árias mais bonitas da história da ópera, ouvimos Butterfly explicando a sua empregada o que acontecerá quando Pinkerton retornar para encontrá-la. Puccini transforma a dor da jovem em uma peça icônica da música acadêmica.

No final da ópera, depois de ver o filho ir embora, Cio-Cio-San fica com o coração partido. Então, cheia de dor, ela acaba com a sua vida através de um ritual de sacrifício japonês.

Adaptações para outras mídias

A dor de Madame Butterfly inspirou inúmeros artistas ao longo dos anos. Entre as adaptações mais populares do roteiro de Puccini, encontramos Miss Saigon de Boublil e Schönberg.

Talvez uma das adaptações mais curiosas desta magnífica ópera tenha sido a de Sidney Olcott. A primeira adaptação cinematográfica de Madame Butterfly foi um filme mudo. Isso é incrivelmente irônico, considerando que muito da beleza da história está na sua musicalização.

Madame Butterfly

No mundo da música pop, muitos artistas fizeram homenagens a Madame Butterfly, dos Sex Pistols à banda indie Wheezer. As várias interpretações e adaptações reinventam os personagens e são uma amostra do legado incontestável da obra de Puccini e de como, ao longo do tempo, ela sobreviveu e se mantém atual.

Na literatura, têm surgido várias histórias em quadrinhos inspiradas nesta obra. Algumas delas justificam o caráter de Pinkerton e o tornam um homem incompreendido. Outras versões investigam a situação de maus-tratos de Butterfly e a injustiça do seu destino.

O que torna Madame Butterfly uma história tão comovente? Talvez seja a tragédia clássica imersa em sua história ou a imortalidade da sua música.

Ao longo da ópera, o público pode perceber a luxúria e o amor, a necessidade de acreditar cegamente em algumas ideias, a beleza no sacrifício e na morte. Assim, Madame Butterfly parece uma tragédia digna da era clássica, uma poesia que mistura música e cena.

Para finalizar, ficamos com as próprias palavras do seu autor, Puccini, que sempre foi muito claro ao explicar o que faz desta uma das maiores óperas da história:

“Grande luto em uma pequena alma – não é psicologia, é a compreensão da dor humana. A capacidade de fazer o mundo chorar”.
– G. Puccini-

FONTE ORIGINAL

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