Lojas Havan, de Luciano Hang, desiste de IPO

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Lojas Havan, de Luciano Hang, desiste de IPO

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A varejista Lojas Havan desistiu oficialmente de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), segundo dados divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta terça-feira.

O movimento é um revés para o empresário Luciano Hang, um notório apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Com a oferta anunciada em agosto, Hang planejava vender uma fatia da icônica cadeia de lojas que têm na fachada réplicas da Estátua da Liberdade.

A operação serviria também para a Havan buscar recursos para financiar aberturas de centros de distribuição e de novas lojas, além de investimentos em tecnologia e reforço no capital de giro.

No entanto, a empresa estava com dificuldades para levar a operação adiante, porque os investidores não aceitavam avaliar a companhia no valor desejado. O IPO da Havan tornou-se um dos mais conhecidos e esperados de 2020 depois que pessoas próximas à operação falaram que o negócio poderia ser avaliado em 100 bilhões de reais.

No início de outubro, a EXAME noticiou que a Havan havia desistido da oferta. A desistência oficial veio agora. A companhia pretendia fazer sua estreia avaliada em 70 bilhões de reais, mas o mercado só estava disposto a pagar entre 50 bilhões e 60 bilhões de reais.

Depois que tornou seu prospecto público, a companhia passou a ser questionada por não ter uma operação digital forte o suficiente para buscar múltiplos que os investidores só estão oferecendo para companhias com potencial de crescimento ativado pela tecnologia. No ano passado, de uma receita líquida de 7,9 bilhões de reais, as vendas pelo site (o aplicativo ainda está em desenvolvimento) somaram apenas 77 milhões de reais.

Outro ponto que deixou os investidores com o pé atrás é a postura do fundador, Luciano Hang. Hang é descrito no prospecto como potencial problema para o negócio. “Nosso presidente e acionista controlador já foi e é parte em processos relativos a condutas supostamente inapropriadas, e/ou ofensivas, inclusive decorrentes de sua opinião pessoal nas redes sociais, sendo que alguns tiveram ou podem ainda ter potenciais desdobramentos na esfera ciminal. Em caso de decisões desfavoráveis, a reputação da companhia poderá ser afetada de maneira adversa, o que pode gerar efeito negativo sobre negócios e resultados operacionais”, diz o documento apresentado à CVM.

O empresário já se envolveu com sonegação fiscal e é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por disseminação de fake news. Também foi alvo do Ministério do Trabalho, por tentativa de coação dos funcionários durante a eleição do presidente Jair Bolsonaro. No início de outubro, a inauguração de uma loja da Havan, em Belém, no Pará, provocou aglomerações, em plena pandemia.

A Havan tem cerca de 150 lojas em 112 municípios. A desistência da Havan sublinha a volatilidade do mercado de ofertas de ações no Brasil, que, mesmo batendo recordes em 2020 com a queda do juro básico à mínima recorde de 2% ao ano, também sente as incertezas quanto aos efeitos econômicos da covid-19. Só em outubro, oito empresas nacionais já desistiram dos planos de listagem na B3.

Fonte: Exame

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