Fundo do BTG e Highline vão disputar rede de fibra da Oi, projeto de R$ 20 bi

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A InfraCo, a companhia da rede de fibra da Oi que a tele colocou o controle à venda dentro do seu processo de recuperação judicial, atraiu muita atenção e curiosidade no começo. Foram mais de dez na primeira fase. Mas, na hora H, poucos interessados ofereceram uma oferta vinculante.

O Fundo Economia Real do BTG Pactual apresentou nesta sexta-feira, dia 22, a sua proposta pelo controle do negócio, junto com diversos investidores parceiros. A oferta é por 51% de toda a InfraCo e é válida apenas até 4 de fevereiro. Toda documentação, incluindo até uma proposta de acordo de acionistas, já foi levada à sede da empresa, no Rio de Janeiro.

A Highline, agora do bilionário Digital Colony, também fez seu lance. A oferta, contudo, ainda não contém o planejamento detalhado do negócio e tem diversas condicionantes, conforme o EXAME IN apurou. E a expectativa do mercado é que Enel não apareça,  apesar de ter acessado o data-room da operação.

A avaliação mínima da Oi para a companhia é de R$ 20 bilhões. Esse total é composto por R$ 17,6 bilhões de capital e R$ 2,4 bilhões em dívida líquida. A tele venderá apenas o controle dessa operação, e não 100% dela – como nos demais ativos.

Para vender os 51% do controle, a Oi não aceita menos do que R$ 6,5 bilhões, por 37% do capital total.

Quem levar o negócio precisa ainda, no ato, honrar uma dívida de R$ 2,4 bilhões, o que amplia o valor total do desembolso imediato.

A InfraCo é, de todos os ativos já vendidos pela Oi, o mais estratégico para ela. A tele vai se manter acionista do negócio, minoritária, e é sobre essa infraestrutura que vai vender seus serviços. Portanto, é crucial que o novo controlador faça uma boa gestão e cumpra o plano de expansão estabelecido pela companhia para que a Oi possa crescer e ampliar sua receita.

No plano apresentado, o novo dono da InfraCo terá de levar a rede de fibra da empresa para a frente de 32 milhões de domicílios, ante os atuais 9 milhões que a empresa tem hoje (o dobro do que tinha ao fim de 2019). Trata-se de um investimento estimado de nada menos do que R$ 20 bilhões a ser executado pelos próximos cinco anos.

A companhia tinha, no início de dezembro, praticamente triplicado a base de assinantes dessa tecnologia para 2 milhões, ante 700 mil no fechamento de 2019. A receita média por usuário estava em R$ 88,50 mensais. A rede total da Oi tem hoje 400 mil quilômetros de extensão e chega a 2,2 mil municípios.

Como o projeto inteiro da InfraCo é da ordem de R$ 30 bilhões, entre compra das ações, dívidas assumidas e investimentos a serem realizados, houve muito interesse dos envolvidos de aglutinar propostas. Nem todos conseguiram encarar um projeto colossal como esse.

O BTG Pactaul abriu a possibilidade para investidores parceiros, que já colocam recursos em outros fundos de infraestrutura da casa. O Canada Pension Plan (CPPIB), ao contrário do que muito se falou, não integra esse coletivo. Mas há dezenas de co-investidores.

Todos que colocaram dinheiro na oferta ficarão abaixo da gestão que é feita pelo FIP Economia Real, que é conduzida pelo sócio Renato Mazzolla. O BTG Pactual propriamente, o banco, não será o comprador.

Na proposta encaminhada, como era de se esperar, Mazzolla sentará no conselho de administração, mas a cadeira de chairman pertencerá – se a oferta for vitoriosa – a Amos Genish, o empresário israelense radicado no Brasil responsável pela construção e venda da GVT, a única empresa espelho de telefonia fixa e banda larga que prosperou no país.

Genish tornou-se quase um ativo, ele próprio, do setor pelo sucesso da empreitada. O empresário, sócio do BTG Pactual desde 2019 à frente do projeto de varejo da instituição, participou ativamente do desenvolvimento da proposta. O time do BTG Pactual fez uma profunda diligência do negócio. No total, trabalharam mais de 160 pessoas no desenvolvimento do projeto e avaliação do negócio. Durante um período, 120 profissionais atuavam simultaneamente na confecção de um planejamento, que contou ainda com a atuação da consultoria Oliver Wyman.

 

 

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