Fishkin, de Stanford: a política causa impasse e deve ouvir mais o cidadão

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Fishkin, de Stanford: a política causa impasse e deve ouvir mais o cidadão

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O cientista político James Fishkin é um entusiasta da democracia – e dos meios alternativos para descobrir o que os cidadãos querem de fato para seu país. 

Professor de ciência política na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, Fishkin desenvolveu um método para transformar os anseios da população em política pública.

Chamado de Deliberative Polling (votação deliberativa, numa tradução livre ao português), o sistema seleciona cidadãos de maneira aleatória – numa tentativa de, mais ou menos, refletir os diferentes extratos de uma população.

Com uso de tecnologia, o sistema de Fishkin acompanha e coleta as mudanças de opinião desse contingente a respeito de assuntos da vida pública – as mudanças necessárias na Constituição de um país, por exemplo. 

O sistema monitora mudanças de opinião dos participantes de acordo com o tipo de informação recebida por eles via imprensa ou na conversa com familiares e amigos.

A partir dessa monte de dados gerados por anseios, queixas e opiniões de cidadãos, a ideia do sistema de Fishkin é auxiliar políticos a tomar decisões mais bem embasadas sobre as políticas públicas. 

Atualmente, esse tipo de votação deliberativa está sendo usado pelo Senado do Chile para definir as prioridades para a Assembleia Constituinte do país, prevista para começar os trabalhos neste ano e postergada para 2021 por causa da pandemia.

O sistema também deve ajudar o parlamento do Reino Unido a entender as queixas dos cidadãos sobre o Brexit, uma negociação diplomática cada dia mais enrolada entre o governo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson e a União Europeia

Em três décadas de “democracia deliberativa”, o sistema de Fishkin já auxiliou autoridades de 100 países.  

Num cenário de um debate público bastante interditado ao diálogo mundo afora – basta lembrar o caos do primeiro debate da eleição presidencial americana de 2020, entre Joe Biden e Donald Trump, na última terça-feira -, Fishkin vê o seu sistema como mais essencial do que nunca para encontrar consensos.

Nesta quinta-feira, 1° de outubro, o cientista político vai participar de um debate virtual com políticos brasileiros no 13º Encontro de Líderes, organizado pela ONG Comunitas, dedicada à inovação na gestão pública brasileira. 

Entre os políticos confirmados estão o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e os governadores tucanos João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

Por e-mail, Fishkin antecipou à EXAME os temas a serem abordados na conversa de hoje, marcada para às 17h. Para o cientista político, instituições como parlamentos costumam produzir impasses difíceis de solucionar. “E, por isso, elevam as suspeitas do público sobre a capacidade de ação da elite política”, argumenta o cientista político. “A demanda por fóruns desse tipo vem do desejo do povo de ser ouvido de uma forma representativa e atenciosa.”

A confiança na democracia está caindo em diversos países do mundo. Como a sua proposta de democracia deliberativa, com o uso maciço de pesquisa de opinião, pode responder a esse problema?

A democracia deliberativa que proponho, e outros métodos de democracia deliberativa, podem ajudar a conectar as opiniões, informações e julgamentos do público com a agenda de política pública. Conectar o governo e o diálogo público com o que as pessoas de fato querem pode elevar a legitimidade de um governo.

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