Envelhecimento da população do Japão chega à máfia Yakuza • A Referência

Envelhecimento da população do Japão chega à máfia Yakuza • A Referência

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O envelhecimento populacional do Japão já atinge a todos os setores – inclusive o do crime organizado, reportou o jornal Asahi Shimbun. Mesmo as famosas gangues japonesas não conseguem mais “recrutar” novos integrantes.

“Na minha geração sonhávamos em nos tornar membros de gangues de alto escalão, ter mulheres, dinheiro e carros luxuosos”, disse um homem membro do Yakuza, que pediu para não ser identificado.

“Agora tudo mudou. Os jovens de hoje não gostam de ficar em um só grupo”. Segundo o homem, seis dos 10 jovens recrutados no começo do ano já deixaram o grupo criminoso de atuação transnacional.

Membros da gangue Yakuza no Festival Sansha Asakusa, Tóquio, em maio de 2012 (Foto: CreativeCommons/Ari Helminen)

No final de 2019, 51,2% dos 14,4 mil membros do Yakuza do Japão tinham 50 anos ou mais. O feito é inédito: essa é a primeira vez que a gangue, fundada no século 15, é formada majoritariamente por membros de meia idade.

A porcentagem de membros com mais de 70 anos também deu um salto. No final de 2006, 30% dos membros tinha cerca de 30 anos, conforme autoridades japonesas. Em dezembro de 2019, o número encolheu para apenas 14%.

O registro de membros na casa dos 20 anos também reduziu. Segundo o levantamento, apenas 4,3% do Yakuza está nessa faixa etária. Há 13 anos, o percentual era de 12,6%. Em 2006, o grupo somava cerca de 41,5 mil integrantes.

Questão geracional

Um agente sênior da polícia de Hyogo, província ao centro-sul do Japão, as gangues perderam a relevância entre os homens mais jovens depois da aprovação de decretos para eliminar os grupos criminosos de suas jurisdições, em 2011.

Com as medidas, cidadãos do Japão ligados ao crime não podem abrir contas bancárias, assinar contratos de telefones celulares, cartões de créditos ou apólices de seguro, por exemplo.

“E se ele não estiver registrado como membro, o chefe da gangue não poderá se responsabilizar caso o integrante seja preso. Assim, os chefes não pressionam mais os jovens a entrarem para esse tipo de crime”, disse o oficial.

Questionado, um ex-yakuza aposentado desde os 70 anos descreveu sua urgência em deixar o grupo. “Não entraria para uma gangue se nascesse de novo”, disse. “Fui preso três vezes. Agora, não tenho família, não tenho economias e não tenho emprego”.

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