Início ECONOMIA Em meio à crise, Brasil cria quase 1,4 milhão de empresas em 4 meses de 2021; 80% são MEIs

Em meio à crise, Brasil cria quase 1,4 milhão de empresas em 4 meses de 2021; 80% são MEIs

por Maeli Prado
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O Brasil nunca criou tantas empresas na história, mas a razão não é para se comemorar. Em meio à pandemia de coronavírus, que mergulhou o país na segunda grande crise econômica em um período de menos de 10 anos, o proeminente número de desempregados vem levando muita gente a virar MEI (microempreendedor individual) uma vez que forma de sobreviver enquanto o mercado de trabalho não melhora.

Esse é o cenário revelado por um indicador da Serasa Experian, que compila informações de brecha de pessoas jurídicas em juntas comerciais de todos os estados. Conforme dados repassados com exclusividade pela empresa para o 6 Minutos, somente no reunido deste ano até abril (último oferecido disponível), já surgiram 1,38 milhões de empresas, subida de 27% na verificação com o mesmo período de 2020.

No ano pretérito todo, surgiram 3,4 milhões de empresas, número recorde que será superado com folga neste ano, em concordância com o economista da empresa de avaliação de dados de crédito e consumo, Luiz Rabi. Ele aponta que cerca de 80% dessas pessoas jurídicas que nascem no país são MEIs.

“Esse número neste ano com certeza ultrapassará os 3,5 milhões, ou seja, um novo recorde. Acho que será até mais, se eu tivesse que apostar, diria que estará mais perto de 4 milhões do que de 3,5 milhões”, avalia ele. “Para se ter uma ideia do que isso significa, em 2017 o patamar era quase a metade, de 2 milhões de empresas criadas”.

Desemprego proeminente explica recorde

A razão para essa disparada na geração de empresas, em peculiar MEIs, é principalmente o proeminente número de desempregados no Brasil –no trimestre encerrado em abril, eram 14,8 milhões de pessoas, em concordância com dados do IBGE (Instituto Brasílico de Geografia e Estatística).

“Estamos com 15 milhões de brasileiros desempregados, e esse contingente aumentou na pandemia. Essas pessoas precisam sobreviver. Uma parte se vira com o auxílio emergencial, mas não é todo mundo que recebe, e não dá para ficar contando com ele para o resto da vida”, afirma o economista.

De concórdia com ele, o verdade de o país ter reunido duas crises em um período limitado de tempo –a última durou de 2014 a 2018– também explica esse salto. “Estamos vivendo uma crise desde a época de Dilma Rousseff, em 2014. E aí veio a pandemia. Já faz um certo tempo que as pessoas estão sendo meio que empurradas para se tornarem empresárias. É o empreendedorismo de necessidade, e não de oportunidade”.

Ele lembra que dois terços das novas empresas que vem sendo fundadas no país são no setor de serviços. “São manicures, empresas de bolos, doces, marido de aluguel. Atividades que requerem pouco investimento, que não necessitam de um ponto comercial e que podem ser desenvolvidas em casa ou na rua”, explica o economista.

A opção pela geração do MEI está relacionada à facilidade de se fabricar essa microempresa e os benefícios que vêm com ela, uma vez que crédito mais barato. Essa figura jurídica foi criada em 2008 para promover a formalização com uma fardo tributária menor, dando a profissionais autônomos e microempresários a opção de tornarem seus empreendimentos legais.

Ao se tornar MEI, o negócio que tem um faturamento sumo de R$ 81 mil por ano pode ter um CNPJ (Cadastro Pátrio de Pessoas Jurídicas), se enquadrando no Simples e pagando impostos de uma vez só (o valor depende do ramo de atividade, mas a média é de R$ 50 por mês).

Segunda vaga impactou dados

Rabi destaca ainda que em abril, quando houve uma vaga de fechamentos nas grandes cidades por pretexto da segunda vaga, houve queda de 10% no promanação de novas pessoas jurídicas.

Ele afirma que a expectativa é que esse cenário seja revertido nos próximos meses.

“Abrir uma empresa é uma decisão importante, não é como comprar açúcar no supermercado. Muita gente coloca todas as economias no novo negócio, e momentos como esse que tivemos, da segunda onda determinando lockdowns pelo país, influenciou nesse quadro”.

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