Dólar e fundo imobiliário sobem no mês, com Bolsa em baixa por Petrobras – 26/02/2021

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Em um mês marcado pela volatilidade dos mercados financeiros, a Bolsa teve desempenho negativo, impactada pelo desempenho das ações da Petrobras, assim como o ouro, que recuou. No lado positivo do mercado, o dólar e os fundos imobiliários com cotas negociadas em Bolsa fecharam o período com variações positivas.

O aumento dos casos de covid-19 levou governos estaduais e municipais a novas medidas de restrição, enquanto o ritmo da vacinação no país segue prejudicado pela falta de doses. Esse problema já seria suficiente para reduzir o apetite dos investidores por aplicações de risco, dizem profissionais de mercado. Mas para piorar o quadro, a Bolsa ainda teve que enfrentar a desvalorização dos papéis da Petrobras, empresa que representa quase 9% do Ibovespa.

Declarações de Jair Bolsonaro que anteciparam a intenção de trocar o comando da petroleira estatal deixaram investidores receosos de intervenções do governo na companhia. Na dúvida, muitos venderam suas posições. A companhia até anunciou lucro recorde no quarto trimestre de 2020, mas o estrago já estava feito: as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 16,7% e as ordinárias (PETR3) cederam 19% no acumulado de fevereiro.

O ouro também recuou em fevereiro. Depois de bater recordes de preço ao longo de 2020, o metal passou a ficar pressionado pela valorização do dólar no mercado internacional e pela expectativa de que os juros possam voltar a subir com a retomada da economia nos Estados Unidos.

No lado positivo, o dólar voltou a subir ante o real. Além do movimento internacional, em que a moeda americana se valorizou ante outras divisas, aqui no Brasil esse movimento foi acentuado por questões locais.

Mesmo o presidente sinalizando novas privatizações, o mercado financeiro e os investidores internacionais estão assolados por uma crise de desconfiança de como será o comportamento futuro do governo em relação a intervenções. Essa incerteza, aliada à piora da pandemia no Brasil, faz o dólar bater novamente a casa dos R$ 5,50.
Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora de Câmbio

Outro destaque positivo em fevereiro foi o desempenho dos fundos imobiliários. O Ifix, índice das cotas dos fundos imobiliários negociados na Bolsa, fechou o mês com variação positiva de 0,24%. A retomada mostra uma tendência de recuperação do setor que vem se formando desde o ano passado.

Como o Ifix foi um dos grandes “perdedores” de 2020, com queda acumulada de 10,24% no ano passado, bem mais acentuada que o Ibovespa, ainda há espaço para correção até o retorno aos níveis pré-crise. Houve uma certa correção em fevereiro para o indicador, mas em 12 meses o acumulado ainda é de queda de 2,85%.
Paula Zogbi, especialista da Rico Investimentos

Os juros baixos afetando as carteiras renda fixa, de um lado, e a insegurança política que atinge as ações do Ibovespa, de outro, têm levado aplicadores a escolherem os fundos imobiliários como alternativa de investimento nesse momento de incertezas, aponta o gestor de recursos.

Vemos uma tendência de menor volatilidade dos Fundos Imobiliários, quando comparado com as ações. Essa menor volatilidade pode ser explicada por diferenças tanto no perfil dos investidores, dado que apenas 4,4% dos investidores são estrangeiros, como nos ativos investidos pelos FIIs, na grande maioria com perfil de geração de renda, como a locação de escritórios e galpões logísticos.
Felipe Solzki, portfólio manager imobiliário da Galapagos Capital

Cenário para março

Para março, a situação política continuará sendo um fator decisivo para o mercado, impactando os juros futuros e o dólar, assim como o processo de vacinação e o aumento no número de infectados no Brasil, que seguirão influenciando o mercado financeiro e a economia real.

Os ruídos políticos também geram problemas em relação às expectativas de como a política econômica brasileira será conduzida, se de forma liberal ou intervencionista. Outro fator importante é o movimento de rotação dos aplicadores em direção a ativos do setor de commodities, por conta dos estímulos no exterior e o aumento da demanda.
Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos

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