Início ECONOMIA Custo de materiais tem alta recorde e afeta reformas e planos de construtoras

Custo de materiais tem alta recorde e afeta reformas e planos de construtoras

por Daniela Amorim
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Os planos da faxineira Eliana Pimentel dos Santos, de 45 anos, para a construção da morada em Guaratiba, na zona oeste do Rio, tiveram de ser adiados por conta da inflação. A teoria era iniciar a erguer as paredes da novidade morada de três quartos agora em julho, mas o verba guardado para os vergalhões que sustentariam as colunas não foi suficiente para a compra orçada com antecedência. Com isso, o trabalho no terreno da família só poderá ser retomado em agosto.

“Mês passado, o ferro estava R$ 14 a vara. Este mês, está R$ 22, aumentou muito. A vendedora falou que, se você quiser comprar um material que custa R$ 20, tem de guardar R$ 40, porque está aumentando de um dia para o outro”, disse Eliana.

A subida de preços não está restrita aos vergalhões. O item referente a materiais e equipamentos de construção acumula uma subida recorde de 32,92% no período de 12 meses encerrado em junho, em harmonia com o Índice Pátrio de Dispêndio da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI), delicado pela Instalação Getúlio Vargas (FGV), o maior patamar desde o início do Projecto Real. Já o INCC-DI completo, incluindo também preços de mão de obra e de serviços, registra uma subida de 17,34% no período – ainda assim, muito além da inflação solene (8,35%).

Os itens que mais subiram de preço no período foram tubos e conexões de ferro e aço (subida de 91,66% em 12 meses até junho de 2021); vergalhões e arames de aço ao carbono (78,35%); condutores elétricos (76,19%); tubos e conexões de PVC (64,91%); eletroduto de PVC (52,06%); esquadrias de alumínio (35,21%); tijolo/telha cerâmica (33,82%); compensados (30,47%); cimento portland generalidade (27,62%) e produtos de fibrocimento (26,96%).

Essa disparada nos preços atrapalhou também os planos do empresário Raphael Paiva de Souza, de 30 anos, possuinte de uma loja de móveis. Ele precisou procrastinar a reforma que planejava implementar na morada onde mora com os pais, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. A teoria original era reformar as salas de estar e de jantar e o pia, mas, com os preços subindo, o pia acabou ficando para depois. “Os materiais já estavam em um valor alto e a mão de obra também, então optamos por adiar a reforma do lavabo e pensamos em comprar as coisas aos poucos”, disse.

Impacto nos negócios

Em junho, o aumento do dispêndio da matéria-prima foi indigitado, pela primeira vez, uma vez que o principal empecilho aos negócios pelas empresas de construção, em harmonia com dados da Sondagem da Construção, também da FGV. No mês, 36,4% das empresas consultadas apontaram o encarecimento da matéria-prima uma vez que principal limitador à melhoria dos negócios, ultrapassando as menções a problemas uma vez que demanda insuficiente (35,3%), questões financeiras (16,9%) ou chegada a crédito bancário (13,1%).

“É uma questão que preocupa, porque dificulta até a formação de orçamentos. Porque as empresas formam um orçamento hoje, mas quando vão lançar o imóvel, quando vão vender, com os preços subindo muito, como você faz essa projeção? É uma questão que complica significativamente”, diz Ana Maria Forte, coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasiliano de Economia da FGV (Ibre/FGV).

A subida de preços dos insumos chegou a prejudicar a retomada no índice de crédito da construção a partir do último três meses do ano pretérito, quando desceu de um patamar de 95,2 pontos, em outubro, para 85,0 pontos em abril deste ano. Em junho, houve melhora, para 92,4 pontos, mas ainda com as visibilidades mais positivas que as avaliações com relação a a situação atual. “A gente associou muito essa perda de ímpeto da confiança à questão dos aumentos dos preços”, relatou Ana Maria.

Empresários do setor disseram que o descontrole de preços pode frear o ritmo de recuperação da atividade de construção. “Está afetando e terá muito impacto para o futuro. No primeiro trimestre, a gente viu redução de lançamentos imobiliários”, disse José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A CBIC revisou no início do ano as visibilidades de incremento do setor em 2021, de 4,0% para 2,5%.

O dispêndio vernáculo da construção por metro quadrângulo chegou a R$ 1.421,87 em junho, sendo R$ 829,19 relativos aos materiais e R$ 592,68 referentes à mão de obra, em harmonia com as informações do Índice Pátrio da Construção Social (INCC/Sinapi), delicado pelo IBGE. A inflação do setor exclusivamente no mês de junho foi de 2,46%, a taxa mais elevada da série histórica com desoneração da folha de pagamentos, iniciada em 2013. O dispêndio de mão de obra e insumos na construção ficou 20,92% mais cimalha nos últimos 12 meses até junho, também a maior subida de preços da série.

“É uma conjuntura de situações. Demanda aquecida, obra de formiguinha, nas empresas de maior porte as obras continuaram na pandemia, a demanda continuou. Tivemos notícia que é o melhor período da construção civil”, disse Augusto Oliveira, gerente do INCC/Sinapi.

Conforme ele, os vendedores de materiais de construção que são informantes na pesquisa têm relatado escassez de produtos, que chegam no mês seguinte com preços mais elevados, por reajustes efetuados ainda na indústria. “O informante fala: ‘Olha, está difícil de entregar e quando entrega vem com alta’”, relatou. / COLABOROU HELOÍSA SCOGNAMIGLIO

Os dados são do jornal O Estado de S. Paulo.

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