ECONOMIA

CPI vê contradições em depoimento de Wajngarten; Renan Calheiros ameaça pedir prisão de ex-secretário

O ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten em oitiva na CPI da Pandemia (Foto: Leopoldo Silva/Agencia Senado)

SÃO PAULO – Quinta testemunha a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado Federal, o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten adotou uma linha de discurso em defesa ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e às condutas adotadas pelo governo federal no enfrentamento à Covid-19.

Em depoimento nesta quarta-feira (12), Wajngarten deu declarações que vão de encontro com falas reproduzidas em entrevista à revista Veja no fim de abril ‒ o que provocou irritação entre os membros do colegiado. A publicação é tida como principal motivo para sua convocação para a oitiva que já dura mais de 6 horas.

Aos membros da CPI, o ex-secretário elogiou a “coragem” do general Eduardo Pazuello, que por mais tempo esteve à frente do Ministério da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus, negou que tenha participado de negociações com representantes da Pfizer sobre a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo governo brasileiro e disse que as tratativas iniciais envolveram uma quantia “irrisória” de imunizantes.

Na entrevista concedida em abril, ele afirmou ter “aberto as portas do Palácio do Planalto” à farmacêutica e fez uma “peregrinação por todos os Poderes”, citando nominalmente figuras como o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o procurador-geral da República, Augusto Aras, mas que “incompetência” e “ineficiência” da “equipe que gerenciava o Ministério da Saúde” impediram o avanço das tratativas.

Segundo Wajngarten, “se o contrato com a Pfizer tivesse sido assinado em setembro, outubro, as primeiras doses da vacina teriam chegado no fim do ano passado”. O áudio foi disponibilizado pela publicação após solicitação dos parlamentares.

À CPI, o ex-secretário disse que sua atuação nas tratativas com a Pfizer se resumiu a contatos iniciais, em razão de a farmacêutica não ter obtido resposta por carta enviada a Bolsonaro, com cópia ao vice-presidente Hamilton Mourão, aos ministros Eduardo Pazuello (à época, Saúde), Walter Braga Netto (à época, Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia) e ao embaixador Nestor Foster, após quase dois meses.

“O senhor pode imaginar qual era a pressão da imprensa em atacar o governo dizendo que não tinha vacina, e a quantidade de mortos e contaminados aumentando toda hora”, argumentou quando questionado sobre suposto desvio de função ou ingerência sobre competências de outras pastas.

“Eu não tratei de negociação. Meu intuito foi de ajudar, criar atalhos e encurtar o caminho para que a população brasileira tivesse a melhor vacina”, complementou.

Diante da percepção de incoerência entre as falas à comissão e as declarações à reportagem, os parlamentares solicitaram à revista Veja o áudio completo da entrevista. O conteúdo foi disponibilizado pelo veículo.

O clima é tenso durante toda a sessão. Em um dos momentos mais críticos, após Wajngarten afirmar desconhecer um “aconselhamento paralelo” no governo federal para o enfrentamento à Covid-19, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ameaçou pedir a prisão do ex-secretário caso ficasse comprovado que mentiu à comissão, à qual se comprometeu sob juramento a dizer a verdade.

“Ele disse desconhecer a existência [de um assessoramento paralelo no governo], mas é o contrário: vossa excelência é a prova da existência dessa consultoria, é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República, porque iniciou uma negociação em nome do Ministério da Saúde, como Secretário de Comunicação e se dizendo em nome do presidente; é a prova da existência disso”, disse.

“Eu queria dizer que vou cobrar a revista Veja: se ele não mentiu, que ela se retrate a ele; e, se ele mentiu à revista Veja e a esta comissão, eu vou requerer, na forma da legislação processual, a prisão do depoente, apenas para dizer isso e para não dizerem que nós não estamos tratando a coisa com a seriedade que essa investigação requer”, completou.

A decisão sobre prisão do depoente, neste caso, cabe ao presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Caso isso ocorra, o preso é conduzido até a delegacia da Polícia Legislativa no próprio Senado Federal, onde é elaborado mandado de prisão, entregue à Polícia Federal.



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