Como ajudar as crianças a se livrar dos medos que as paralisam

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Se você tivesse de explicar o que é o medo, o que diria? Para alguns, é uma forte sensação de ansiedade; para outros, uma mistura inexplicável de sentimentos. Embora seja um conceito complexo, sentir medo é algo natural em todas as fases da vida, sobretudo na infância. As crianças chegam ao mundo sem grandes conhecimentos, por isso têm medos que muitas vezes nem elas conseguem explicar.

Sabendo que alguns medos são comuns e conhecendo as dificuldades das crianças em lidar com eles, o Incrível.club decidiu fazer uma lista com os medos mais frequentes na infância e o que fazer para eliminá-los.

1. Nos dois primeiros anos de vida

Nos dois primeiros anos de vida surgem os primeiros medos nas crianças, e os mais característicos nessa fase são o medo de desconhecidos e o de ser separada de alguma pessoa muito querida, com a qual é muito apegada. Esses dois temores podem estar relacionados, já que as crianças costumam ter medo de pessoas que não conhecem e não querem se separar daquelas que, para elas, são uma referência.

Medo de desconhecidos

Esse medo começa entre os oito e dez meses de idade. Até essa fase, o bebê permanece a maior parte do tempo com os pais, sobretudo com a mãe, e é por isso que quando um estranho se aproxima, seja para falar, ou para carregar o bebê, ele fica assustado. Quando nos colocamos no lugar deles, percebemos que essa reação é bastante lógica, afinal de contas, ninguém gosta quando um estranho se aproxima demais.

Embora seja um medo comum e uma etapa que toda criança precisa viver, é importante ficar de olho na sua evolução e procurar um especialista, caso a situação saia do controle. Além disso, os pais podem seguir uma série de medidas que ajudam a superar essa situação:

  • Para conseguir que o pequeno se sinta mais cômodo, crie um ambiente exclusivo para ele conhecer novas pessoas. O ideal é que para ele seja um ambiente conhecido e seguro (a própria casa, por exemplo).

  • É importante não forçar a criança e ser paciente. Se seu filho não se sentir cômodo, é melhor esperar ele se acalmar antes de uma segunda tentativa. É necessário respeitar o tempo e o espaço da criança. E é claro que é importante que a visita entenda isso e não tente se aproximar.

  • O bebê se sente muito mais cômodo e seguro quando tem nas mãos algum objeto que goste.

  • Não devemos menosprezar, ignorar ou subestimar o medo de nosso filho, já que a situação pode apenas piorar com o tempo. Nesse sentido, é importante não chamar a criança de medrosa, ansiosa ou tímida, esses rótulos podem piorar ainda mais a situação.

  • Fique junto da criança quando ela for conhecer um amigo seu. Isso ajuda a aumentar a confiança e ela vai se sentir mais segura ao seu lado.

  • Nunca vá embora sem avisar, caso contrário, a criança nunca mais vai acreditar em você.

  • Mostre que conhecer novas pessoas pode ser divertido. Aproveite o seu exemplo para mostrar que as outras pessoas podem ser boas e agradáveis.

Medo de se separar de uma pessoa querida

Esse medo se refere à ansiedade de uma possível separação, o que é lógico, afinal de contas ninguém gosta de ser separado de uma pessoa que nos transmite segurança. Isso costuma acontecer entre os 12 e os 18 meses e pode durar até os três anos. Embora seja considerada uma etapa normal, a intensidade com que cada criança vive essa situação pode variar muito.

Percebemos que essa ansiedade se manifesta quando a criança começa a gritar e a chorar na hora de se separar de uma pessoa querida, à qual é muito apegada. Mas é importante entender que essa ansiedade pode virar um trauma bem mais profundo quando chega a limites exagerados. Em casos assim, o ideal é procurar um especialista.

Em casos de ansiedade “normal” pela separação, podemos seguir uma série de pautas para fazer com que o medo diminua progressivamente:

  • Em vez de deixar a criança com outra pessoa durante muito tempo, sobretudo nos primeiros meses de vida, faça com que o processo seja gradual. Ou seja, se tiver de deixar o seu pequeno com uma babá, comece com meia hora, depois uma, e vá aumentando pouco a pouco. Dessa forma, a criança passa a se sentir mais confiante e não sofre nenhum trauma repentino.

  • Tente encaixar as primeiras separações nos momentos em que o bebê estiver calmo, evitando situações críticas como quando ele sente fome, momento em que já estará naturalmente mais irritado.

  • Estabeleça um ritual de separação para dizer “tchau”. Tente fazer com que essa rotina seja breve, para não tornar os sentimentos mais complexos do que devem ser. Por exemplo, dê um beijo na testa e diga apenas: “A mamãe já volta”. Repita sempre a mesma rotina.

  • Cumpra todas as promessas que fizer; isto é, se disser que volta em breve, volte logo, caso contrário, seu filho começará a desconfiar.

  • Se você precisar de uma babá, tente ficar sempre com a mesma. Dessa forma, seu filho vai passar a enxergar nela uma pessoa familiar, de confiança, de apego.

  • Mantenha-se sempre firme na hora de se despedir, para que seu filho se acostume mais rapidamente.

2. Entre dois e seis anos

Nessa fase, os medos mudam e não se concentram mais no medo de estranhos e no apego a pessoas queridas. Nessa etapa da vida, a criança costuma ter medo do escuro, dos seres imaginários e de tempestade.

Medo da escuridão

O medo da escuridão é um dos mais comuns entre as crianças e costuma se manifestar aos dois anos. Ele aparece um pouco antes da hora de dormir e costuma derivar de outros imaginários, como o medo de seres mágicos, ou mesmo de coisas reais (como alguém invadindo a casa enquanto a criança dorme). O medo também pode surgir quando ela ouve uma história ou vê um filme.

Para ajudar os nossos filhos a eliminar esse medo podemos seguir os seguintes conselhos:

  • Não permita que a criança veja filmes e séries que causam medo, sobretudo na hora de dormir.

  • Deixe uma luz acesa no quarto na hora de dormir. Se a criança se mostrar muito ansiosa ao se deitar devido à escuridão, acenda uma lâmpada fraca e ela vai se sentir melhor.

  • Estabeleça uma rotina para a hora de dormir que inclua coisas divertidas. Por exemplo, conte uma história, ouça uma música, tome um banho quente, ou beba algo quente.

  • Tente eliminar alimentos com açúcar, ou muito pesados no jantar. O açúcar deixa a criança muito agitada, com uma maior atividade cerebral, e isso pode prejudicar o sono.

Medo de seres imaginários

Crianças costumam ter medo de seres imaginários, principalmente monstros que se escondem embaixo da cama ou no armário. Esse medo nasce da criatividade e da imaginação que nossos filhos têm nessa idade, ou mesmo de programas de televisão, que também alimentam sua imaginação. Se uma criança tiver esses medos, podemos:

  • Estabelecer rotinas na hora de dormir. Assim como no caso do medo da escuridão, estabelecer rituais antes de dormir ajuda a deixar a criança muito mais tranquila.

  • E se você criasse um produto “antimonstro”? Uma invenção que pode ajudar a acalmar a criança. Esse spray pode ser usado um pouco antes da hora de dormir, para eliminar a possibilidade de que os monstros se escondam embaixo da cama, ou dentro do armário. Ou seja, um método simples para ajudar nossos filhos no combate a seus medos e a se sentirem mais seguros e tranquilos na hora de dormir.

  • À medida que a criança vai conseguindo eliminar o medo dos monstros, podemos criar pequenas celebrações. Ou seja, você pode convidá-la para um passeio de bicicleta para comemorar, ou fazer um café da manhã especial.

  • No entanto, nunca menospreze os medos do seu filho, já que o que ele sente é real e muito importante para ele. Nunca dê risada, sempre tente se colocar no lugar dele e pouco a pouco tudo será superado.

Medo de tempestades e de trovão

O medo de tempestade e de trovão não é um que toda criança tem, já que algumas olham para esses fenômenos meteorológicos com alegria e empolgação e outras com medo e estresse. No entanto, apesar de não ser um temor generalizado, ou uma etapa que toda criança vive, não é incomum, portanto, não deve causar grandes preocupações (a menos que seja muito intenso, então, como sempre, o melhor é procurar um especialista). Para ajudar nosso filho a lidar com esse medo, há algumas coisas que podemos fazer.

  • É importante manter a calma. Quando a tempestade começar, não se mostre assustado, já que o nosso exemplo conta muito nessas situações. Sorria e fique tranquilo.

  • Tente manter a criança ocupada durante a tempestade, dessa forma, quando a tormenta acabar, você pode dizer: “Já passou, não aconteceu nada e você se comportou muito bem”. Para que a criança se mantenha entretida, você pode seguir uma dessas opções: ou manter a rotina de sempre, para que a criança não perceba nada de diferente, ou, se isso não for suficiente, sugerir uma brincadeira especial.

  • Se a criança precisar ficar deitada com você, ou de um abraço, respeite essa necessidade. E se ela perguntar algo sobre os riscos de uma tempestade, responda sempre com a verdade, a mentira nunca é uma opção.

  • Se o pequeno gostar de natureza, você pode tentar lhe explicar o fenômeno, assim o medo vai embora mais rapidamente.

3. Entre seis e oito anos

Alguns dos medos de antes podem persistir, mas o mais comum aos seis anos é o medo do abandono por parte dos pais.

Medo do abandono

Embora muitas vezes seja um medo irracional, ele pode ser muito forte em algumas crianças. Os pequenos sofrem ao pensar que podem ser abandonados pelas pessoas mais próximas, ou seja, os pais.

Ajudar a superar esse medo pode ser muito difícil, mas não impossível.

  • Não julgue a criança pelo medo que ela sente; ao contrário, tente apoiá-la. Isso não significa concordar e fazer tudo que ela quer, mas ouvir, tentar entender e dar apoio.

  • Sempre diga aonde você vai, quanto tempo vai demorar e quando voltará. Dessa forma, a criança se sente mais confiante e mais tranquila.

  • Fale com a criança e seja honesto. Nunca a deixe suspeitar que você não está dizendo a verdade.

  • Se o medo for muito intenso, converse com um profissional, talvez ele tenha alguma dica específica para o seu filho.

4. Entre oito e doze anos

Nessa idade, os medos evoluem e passam a ser mais racionais, embora ainda possam existir alguns velhos temores do passado.

Medo do fracasso

O medo do fracasso tem suas raízes ou sua base na autoestima, ou na forma como nos valorizamos como indivíduos. O medo de fracassar surge quando o pequeno tem problemas de autoestima, ou quando não confia nas próprias habilidades.

Como pais, podemos trabalhar com os filhos para eliminar esse medo:

  • Devemos dar mais importância ao esforço do que às capacidades, dessa forma, pouco a pouco a criança passa a não ter mais esse temor.

  • Trabalhar a autoaceitação com os filhos, fazendo com que eles sejam conscientes das suas capacidades e das suas limitações. E o mais importante: fazer com que se aceitem como são.

  • Construir uma relação boa e positiva e sempre valorizar o trabalho.

Os seus filhos tiveram algum medo na infância? Ainda têm? E como você encara essas situações?

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