Até onde a moeda subirá? Vai bater os R$ 6?

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O mercado foi agitado nesta semana pela decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, que tornou novamente elegível o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao anular suas condenações. O dólar subiu na segunda e na terça, após a decisão, chegando a R$ 5,797. Na quarta-feira, caiu para R$ 5,653.

A moeda norte-americana já vem subindo desde o ano passado, com a crise causada pelo novo coronavírus (covid-19), combinada a um ambiente econômico desafiador. O dólar fechou 2020 em alta de quase 30% e, antes da decisão que beneficiou Lula, já acumulava alta de mais de 9% em 2021.

Agora, em um cenário ainda mais incerto, o dólar deve continuar subindo? Até onde? Vai bater os R$ 6?

Especialistas consultados pelo UOL dizem acreditar que a moeda norte-americana deve seguir em alta, podendo, sim, chegar a R$ 6 neste ano. Mas dificilmente deve permanecer nesse patamar muito tempo, segundo eles.

No patamar que estamos vendo, de R$ 5,80, já me parece [que o mercado está] considerando hipóteses bem ruins para o crescimento econômico. Eu arriscaria dizer que estamos chegando a um limite de estresse.
Fernanda Consorte, economista-chefe do banco
Ourinvest

Por que dólar sobe desde 2020?

A tendência de alta desde o ano passado é reflexo da percepção do mercado de que a crise causada pelo novo coronavírus e a forma como ela está sendo conduzida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve afetar de maneira prolongada a economia brasileira e, assim, as contas públicas, de acordo com os especialistas.

A covid impactou muito a economia e teve reflexo na nossa moeda. Tivemos que injetar dinheiro na economia, com o auxílio emergencial, que tem um impacto [nas contas públicas]. No Brasil, há maior desvalorização do real por causa da instabilidade econômica.
Caio Henrique Soares Rodrigues, chefe de produtos da Speed Invest

Soma-se a isso a percepção dos agentes do mercado de que o governo Bolsonaro pode adotar uma política intervencionista na economia, após a interferência do presidente na direção da Petrobras.

Também é importante o fato de a taxa básica de juros (Selic) estar no menor patamar histórico, fazendo com que os investidores estrangeiros saiam do país em busca de rendimentos maiores. Com a saída de dólares, o preço da moeda sobe.

Mercado teme Lula distante da agenda liberal

A possibilidade de o ex-presidente Lula se candidatar novamente à presidência da República trouxe mais incertezas nos últimos dias, de acordo com os especialistas. O temor do mercado é de que Lula vença as próximas eleições e aplique políticas de intervenção na economia.

[Com a possível eleição de Lula,] o mercado teme um distanciamento da agenda liberal.
Caio Henrique Soares Rodrigues, chefe de produtos da Speed Invest

Cenário externo também impulsiona dólar

Também há questões externas puxando a cotação do dólar, principalmente nos Estados Unidos.

Por lá, a aceleração da inflação fez com que os juros pagos pelos títulos do Tesouro norte-americano subissem. Como esses títulos são considerados a aplicação mais segura do mundo, quando os juros deles sobem, investidores tiram dinheiro de outros lugares, como o Brasil, para aplicar neles.

O que pode segurar a alta do dólar?

Veja os fatores apontados por Fernanda Consorte, do banco Ourinvest, e por Caio Rodrigues, da Speed Invest.

Vacinação: Dólar pode cair se o ritmo de vacinação a partir de abril e maio acelerar, diminuindo o quadro pandêmico.

Controle das contas públicas: O ajuste fiscal pode melhorar a classificação de risco do Brasil, atraindo o investidor internacional.

Atuação do BC: O BC tem reservas em dólar, e pode vender parte delas ao mercado, fazendo a moeda cair.

Aumento dos juros: A expectativa é de aumento da Selic já na próxima reunião, em março, para tentar conter a aceleração da inflação. Juros mais altos podem atrair investidores.

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