As marcas minúsculas que ajudam a desvendar se um diamante é falso – 10/10/2020

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As marcas minúsculas que ajudam a desvendar se um diamante é falso – 10/10/2020

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Pedras falsificadas e de procedência irresponsável estão minando a confiança na indústria, levando a impacto nas vendas; iniciativas de alta tecnologia tentam combater isso.

Diamantes falsos e de procedência irresponsável estão minando a confiança na indústria – não é à toa que as vendas caíram. Mas será que as novas tecnologias, como marcação a laser e blockchain, podem tranquilizar uma clientela cada vez mais cética?

Um laboratório na cidade californiana de Carlsbad, entre Los Angeles e San Diego, nos Estados Unidos, recebeu recentemente um diamante suspeito.

Em uma das bordas externas da pedra – que os joalheiros chamam de rondiz – estava a pequena inscrição de um código de segurança de diamante autêntico emitido em 2015.

Mas a fonte era diferente da usada pelo Instituto de Gemologia da América (GIA, na sigla em inglês).

E enquanto o diamante original era natural, aquela pedra havia sido desenvolvida em um laboratório.

“Raramente encontramos o tipo de fraude gritante descrita aqui”, afirmaram Christopher Breeding e Troy Ardon, do laboratório em Carlsbad.

Carlsbad é onde está localizada a sede do GIA, organização sem fins lucrativos que avalia e certifica diamantes pela qualidade.

O instituto emite um número de certificação para cada diamante, que pode ser gravado a laser na pedra. Mas esse método tem seus problemas.

“É fácil de ser removido, basta polir”, diz Andrew Rimmer, presidente-executivo da Opsydia, empresa que nasceu na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e desenvolve técnicas de marcação a laser para diamantes.

“Também é fácil aplicar o número de série de outra pessoa.”

Rimmer tem trabalhado então na criação de lasers capazes de gravar códigos de segurança sob a superfície dos diamantes.

E os códigos dentro dos diamantes são eternos.

Há um grande mercado para essas pedras preciosas: são 133 milhões de quilates (aproximadamente 27 toneladas) de diamantes brutos no valor de cerca de US$ 15 bilhões – US$ 16 bilhões (R$ 79 bilhões – $ 84 bilhões) extraídos a cada ano, de acordo com a consultoria americana Bain & Company.

Cerca de metade é proveniente da África, onde em alguns países, como África do Sul e Botswana, a mineração é bem regulamentada.

Mas no Zimbábue, por exemplo, o ex-presidente Robert Mugabe, que comandou o país por 37 anos, usou as exportações de diamantes para financiar os atos de repressão da sua polícia secreta.

E no ano passado, três jornalistas russos foram mortos enquanto investigavam as ligações do Kremlin com milícias na República Centro-Africana que se financiam com a venda de diamantes.

Os diamantes sintéticos também são um problema para a indústria – surgiram anúncios no site chinês de comércio eletrônico Alibaba com documentação afirmando que são naturais.

Essas preocupações levaram a uma queda nas vendas de diamantes em 2019.

Em resposta, muitos representantes da indústria de diamantes têm apostado no uso do blockchain – tecnologia que registra transações e informações de maneira verificável e permanente, à prova de falsificação – para armazenar informações sobre a história de uma pedra preciosa, da mina até a joalheria.

É o caso das plataformas Everledger e Tracr, do De Beers Group. A gigante russa de mineração de diamantes Alrosa anunciou no outono passado, por exemplo, que se juntaria à plataforma Tracr.

Assim, será possível “fornecer aos clientes a história completa de um diamante, desde o momento em que foi extraído”, afirma Eugeniya Kozenko, da Alrosa.

“Podemos criar muitos aplicativos ao longo do caminho” com base no blockchain, acrescenta Jim Duffy, presidente-executivo da Tracr.

Segundo ele, a parte mais complexa do projeto envolveu a criação de robôs para os produtores usarem para escanear diamantes em escala e de algoritmos de aprendizagem automática (machine-learning) para automatizar a identificação dos diamantes.

A De Beers também lançou o programa GemFair para registrar diamantes produzidos por mineradores africanos de pequeno porte, afirma Michillay Brown, especialista em relações com parceiros da Tracr.

O programa começou com “mineradores de diamantes artesanais e de pequeno porte em Serra Leoa”, e os ajuda a registrar localizações de GPS para cada diamante que encontram, que são então colocados em uma sacola inviolável com QR Code (código de barra que pode ser escaneado pelo celular).

Em outro claro sinal de que o setor está aquecendo novamente com a tecnologia blockchain, a Lucara Diamond, companhia de mineração canadense, comprou a empresa de blockchain Clara em 2018.

Os diamantes serão “escaneados logo após serem extraídos da mina e colocados em blockchain”, afirmou John Armstrong, vice-presidente de serviços técnicos da Lucara.

Colocar o relatório completo da procedência de um diamante em blockchain oferece uma “maneira extremamente segura de armazenar informações detalhadas”, completa Rimmer, da Opsydia.

“Mas você ainda precisa ter certeza de que a pedra é aquela mesma.”

E como você consegue gravar um código de segurança permanente e à prova de falsificação dentro de um diamante?

Com dificuldade, parece ser a resposta. O diamante tem um alto índice de refração, o que significa que desvia muito a luz.

“Portanto, seja qual for a direção em que você queira que o laser vá, geralmente ele vai para outro lugar”, explica Rimmer.

Engenheiros em Oxford, no Reino Unido, estavam conduzindo pesquisas para obter a maior resolução possível de telescópios e compensar as flutuações na atmosfera.

E isso acabou produzindo respostas que também podem ser aplicadas ao foco dos lasers em alvos que são muito pequenos.

Portanto, marcas tão pequenas quanto um milésimo de milímetro podem ser feitas a 0,15 mm abaixo da superfície de um diamante em um trilionésimo de segundo. A velocidade extremamente alta impede que a explosão de luz do laser aqueça a pedra.

Marcas tão pequenas, no entanto, não podem ser vistas nem mesmo com uma lente de aumento ou lupa de joalheria. Você precisa de um microscópio potente.

E por serem tão minúsculas, não precisam estar no rondiz, que fica coberto quando o diamante é colocado nas joias – elas podem ser colocadas na superfície superior ou ao redor da coroa, onde podem ser lidas sempre.

A Opsydia vendeu suas primeiras máquinas para a De Beers.

Mas uma vez que você é capaz de escrever coisas dentro de diamantes, “você pode escrever circuitos elétricos; isso leva você à instrumentação científica e, em última instância, para a computação quântica”, diz Rimmer.

Manter a confiança na autenticidade e procedência dos diamantes é essencial para manter uma clientela cada vez mais cética.

Ajay Anand, fundador da Rare Carat, com sede em Nova York, criou uma plataforma que coleta dados sobre diamantes à venda de grandes e pequenos varejistas.

Ele se deu conta de que “os diamantes são o banco de dados perfeito para machine learning e previsão de preço”.

Há cerca de 30 ou 40 variáveis associadas a qualquer diamante, segundo ele.

“Reunimos o maior banco de dados provavelmente existente – nossos algoritmos podem prever o preço de um diamante com bastante precisão”, diz Anand.

A plataforma indica aos clientes o quanto determinado diamante pode ser, em sua análise, um bom negócio.

“E estamos capacitando dezenas de varejistas locais e online de pequeno porte, com custos mais baixos”, mas que podem ter dificuldade para atrair clientes, diz ele.

A indústria espera que essas novas tecnologias de marcação, rastreamento e compra garantam que os diamantes nunca percam seu brilho.


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