Análise Técnica: como ler índices e gráficos de ações | Invest

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A análise técnica é uma estratégia que busca prever as tendências do mercado por meio da lei da oferta e da procura das ações. Também chamada de análise gráfica, leva em conta o estudo de gráficos com a variação de preço de ativos da bolsa de valores.

Esse tipo de análise é muito usado por investidores que atuam com renda variável, sobretudo com compra e venda de ações, opções, contratos e minicontratos em períodos relativamente curtos.

Caiu no gosto dos traders que querem antecipar se o valor e o volume de um papel sobem, caem ou se mantêm – e como tirar boas oportunidades disso no mesmo dia ou semana.

Para que serve a análise técnica

O objetivo da análise técnica é rastrear o comportamento de um ativo através de seu histórico e usar indicadores que sinalizem o melhor momento para comprá-lo ou vendê-lo.

Há quem diga que a análise técnica é a “arte de analisar movimentos do passado para interpretar o presente e projetar o futuro” que se utiliza de gráficos que mostram em quais momentos investidores costumam ficar mais impulsivos e confiantes, otimistas e pessimistas com um papel.

A análise gráfica é confiável?

Não existem estratégias capazes de determinar com 100% de certeza qual será o comportamento de uma ação, se irá subir ou cair. Contudo, a análise gráfica (ou análise técnica) é muito utilizada para traçar possíveis perspectivas.

De acordo com Lucas Claro, analista técnico CNPI do Banco BTG Pactual, o maior banco de investimentos da América Latina, é preciso saber como interpretar essas perspectivas e, a partir disso, gerir sua carteira da melhor maneira. Assim, o investidor tende a obter ótimos retornos financeiros.

“A percepção de risco de cada um é algo individual. Varia conforme o perfil de risco e seu objetivo como investidor. O legal é você adaptar a estratégia de análise técnica para você”, afirma.

Teoria de Dow: fundamentos da análise técnica

A análise técnica de ações, como a conhecemos hoje, surgiu com a Teoria de Dow, criada em 1884 por Charles Dow. Jornalista, foi um dos fundadores do The Wall Street Journal, um dos mais respeitados veículos de economia do mundo, e seu nome deu lugar ao índice Dow Jones, o segundo mais antigo da bolsa dos Estados Unidos.

Charles Dow notou a existência de ciclos no mercado de capitais e, a partir deles, elaborou as primeiras estatísticas que deram origem aos seis fundamentos da análise técnica.

1. Índices já descontam tudo

Como o mercado é rápido e bastante eficiente, qualquer dado econômico ou corporativo é instantaneamente incorporado aos preços de ativos e, consequentemente, em índices como o Dow Jones e o Ibovespa.

Não é possível prever os cisnes negros, como são conhecidas as catástrofes ou quaisquer acontecimentos inesperados, mas mesmo diante dessas situações o mercado se ajusta: os efeitos das ocorrências sobre a empresa ou na economia local, nacional ou internacional logo se reflete nos valores de ações.

2. O mercado possui três tendências

O mercado de ações pode ser dividido em três tendências conforme a intensidade da variação de preços e comparáveis a movimentos do mar, de acordo com Dow. São elas: primária, secundária e terciária.

  • Tendência primária: maré, representa comportamentos de longo prazo (mínimo de 1 ano) com 20% de alta (bull market) ou baixa (bear market) dos preços dos ativos;
  • Tendência secundária: onda, representa momentos de correção da tendência primária e costumam ser de médio prazo (semanas a um trimestre), retoma de 33% a 66% do movimento anterior;
  • Tendência terciária: marola, representa uma pausa temporária para pequenos ajustes da tendência secundária em curto prazo (poucos dias a três semanas).

A tendência secundária costuma ser mais observada por swing traders, que buscam por encontrar padrões em oscilações semanais; enquanto day traders acompanham a tendência terciária, para compra e venda diária de ações.

3. A tendência primária tem três fases

Pela teoria estabelecida por Charles Dow, a principal tendência do mercado de ações (a primária) obedece a uma lógica de comportamento relacionada ao psicológico do investidor. Essa lógica segue três fases, a depender se é uma tendência de alta ou de baixa.

Tendência de alta primária:

1. Acumulação: mercado assimila informações que mantinham tendência de baixa e começa a apontar para uma reversão, ou seja, tendência de alta. Preços de ativos costumam estar subvalorizados, sendo um bom momento para compra por investidores mais experientes (compram barato para vender depois) – mas isso ainda não é o bastante para resultar em uma elevação realmente notável.

2. Participação pública (ou início de tendência): momento em que a maioria dos investidores começa a comprar o ativo. Com a força do aumento de compras, indicadores saem do nível de subvalorizados, elevando o volume de negociações e iniciando a tendência de alta do mercado. Começam notícias sobre a recuperação do papel.

3. Excesso (ou estouro da tendência): fase em que o noticiário já reporta os ganhos do ativo em questão na bolsa de valores. O volume de negociações dispara, a participação pública aumenta ainda mais; como em um rali pelos melhores preços. Analistas e investidores mais experientes começam a liquidar suas posições por conta da valorização exagerada do mercado; e assim se inicia a tendência de baixa.

Tendência de baixa primária:

1. Distribuição: preços alcançam níveis notáveis, tentando investidores. Investidores experientes e bem informados começam a gradualmente vender suas posições, pois percebem que os benefícios das empresas chegaram ao máximo e os preços de seus ativos estão muito valorizados. Há uma leve queda nos preços, mas nada significativo.

2. Pânico: investidores temem prejuízos se não venderem suas posições rapidamente, o que gera um sinal de alerta geral. Não se encontram muitas oportunidades para compra e, portanto, a tendência primária se inverte, resultando em pânico pelo aumento do volume de ativos sendo vendidos, enquanto o preço despenca.

3. Participação pública (ou desaceleração da tendência): com um grande número de investidores que venderam suas posições, o mercado perde muito volume (bear market). Preços recuam até se estabilizarem, iniciando, mais uma vez, a fase de acumulação e tendência de alta.

4. Índices devem se confirmar

O quarto fundamento da Teoria de Dow sobre análise técnica se refere ao fato de que os índices são complementares. Dessa forma, a confirmação de uma tendência de alta ou de baixa se dá por índices que caminham juntos: mesmo que se refiram a setores distintos da economia, são interdependentes.

Assim, se o Ibovespa estivesse em tendência de alta e o ICon (principal índice das empresas do setor de consumo) em tendência de baixa, haveria uma disparidade que impediria a confirmação de que uma empresa específica de consumo está em alta ou baixa.

O jornalista percebeu que, quando índices complementares apontavam para uma mesma direção, havia uma tendência (de alta ou de baixa) consistente, passível de operações mais seguras. Mas, se existisse uma divergência, ela serviria como um alerta para não tomar decisões precipitadas, pois não havia uma tendência de fato.

5. Tendências devem ser acompanhadas pelo volume

De acordo com Charles Dow, “o volume deve expandir ou crescer na mesma direção da tendência principal” (primária). Isso significa que, em uma tendência de alta, o volume continuaria a crescer com a alta dos ativos (cada vez mais compras daquele ativo) e a cair com as baixas (correções dos preços).

O inverso também é válido: na tendência de baixa o volume aumenta na baixa dos ativos (vendas dos ativos) e diminui nas altas (repiques).

Vale ressaltar que o conceito de volume alto ou baixo depende do histórico de cada ativo. Pensar em um volume no valor de 1.000 pode parecer alto, mas só seria considerado alto se a sequência de volumes anterior tivesse sido baixa (exemplo: passou da faixa de 150 para 1.000). Pois, se a sequência estava 10.000 e passou para 1.000, o volume atual é baixo.

6. Uma tendência ocorre até surgir um sinal de reversão

Já ouviu falar no Princípio da Inércia? Segundo ele, que é a Primeira Lei de Newton, um corpo em movimento tende a permanecer em movimento, a menos que uma força contrária atue sobre ele. Você deve se perguntar o que um princípio da física tem a ver com a análise técnica de ações… A resposta é: tudo!

O que caracteriza uma tendência de alta ou de baixa é, respectivamente, o movimento de preços de um ativo formando picos de alta (topos) ou de baixa (fundos). Portanto, qualquer quebra nesse padrão é capaz de descaracterizar uma tendência, revertendo-a: se estava em alta e houve uma queda, então a tendência passa a ser de baixa; e vice-versa.

Apesar de alguns críticos apontarem a lentidão dos sinais de reversão como algo negativo da Teoria de Dow, os fundamentos são utilizados até hoje por investidores em todo o mundo.

Vantagens da análise técnica

A análise técnica é uma abordagem que permite interpretar investimentos assim como as demais, mas são suas vantagens particulares que a tornam a “queridinha” entre os traders.

1. Visão de curto prazo

Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual Digital, vê como a principal vantagem da análise gráfica a possibilidade de operações a curto prazo.

“Ao contrário da análise fundamentalista, em que você precisa estudar todos os balanços de uma empresa para então agir, através da análise técnica você prevê movimentos de um ativo de forma mais ágil e pode fazer mais operações em menos tempo”, afirma o especialista.

2. Aplicável em todos os mercados

A análise técnica pode ser aplicada a todos os tipos de mercados existentes. Ao ter em mãos o histórico de preços dos ativos de determinada empresa e/ou segmento, é possível então ter gráficos a respeito e analisá-los.

Por sua vez, a análise fundamentalista tende a se concentrar em um só nicho de mercado, aprofundando-se nos balanços de uma empresa ou de um setor específico.

3. Preços falam por si só

Levantar o histórico dos preços de mercado, identificar padrões e comparar com o estado atual costuma ser um método passível de poucos erros sobre a oferta e demanda do ativo em questão.

Desse modo, se a análise técnica aponta que os preços devem sofrer uma queda em breve, pois foram identificadas brutas tendências de baixa após determinado ponto ser atingido, é melhor seguir a dica em vez de remar contra.

4. Enxergar o todo

Como a análise técnica permite a combinação de indicadores e um olhar mais geral para todos os mercados, é possível identificar padrões – não só do segmento de atuação do ativo observado, mas também de outros nichos e fatores econômicos externos que podem abalar os preços.

Para quem é recomendada

A análise técnica é indicada para quem deseja fazer operações de curto prazo. Ou seja, se identifica uma tendência nos preços do ativo, se opera a favor dela e se abandona a operação ao verificar sinais de reversão da tendência.

As operações neste caso geralmente são feitas ao longo de um dia (day trade) ou semanas (swing trade).

3 tendências da análise gráfica

Por meio da análise técnica (ou análise gráfica) investidores podem identificar três tipos de tendências de preços do ativo: tendência de alta, tendência de baixa e tendência lateral.

Imagem com três gráficos de linhas, respectivamente representando tendência de alta, tendência de baixa e tendência lateral da análise técnica Três diferentes tendências podem ser visualizadas pela análise técnica: tendência de alta, tendência de baixa e tendência lateral.

Três diferentes tendências podem ser visualizadas pela análise técnica: tendência de alta, tendência de baixa e tendência lateral. (EXAME/Exame)

Tendência de alta (Bullish)

A tendência de alta ocorre quando há uma maior demanda por um ativo específico e, consequentemente, seu preço sobe (pressão compradora). É também conhecida como bullish, que vem do termo “bull” (touro em inglês) e cuja referência é o ataque do touro, com movimentos de baixo para cima para vencer o oponente.

Pode-se notar uma tendência de alta quando os picos e vales (topos e fundos) têm sentido ascendente, com preços em níveis superiores à formação anterior.

Tendência de baixa (Bearish)

A tendência de baixa na análise técnica acontece quando existe uma maior oferta por um ativo específico e, assim, seu preço cai (pressão vendedora). Pode ser chamada de bearish, termo derivado de “bear” (urso em inglês), pois os ursos atacam os adversários com movimentos de cima para baixo.

Observa-se uma tendência de baixa quando picos e vales (topos e fundos) têm sentido descendente, com preços em níveis inferiores à formação anterior.

Tendência lateral (mercado de lado)

Já ouviu a expressão “mercado andando de lado”? Ela é comumente usada por investidores ao se referirem à tendência lateral da análise técnica. Ou seja, quando o preço daquele ativo não está em tendência de alta e nem de baixa.

Isso acontece porque o mercado permanece estável, devido a um equilíbrio entre oferta e demanda do ativo. Muitos investidores também denominam esse momento como “mercado sem tendência” ou “em faixas de negociação”.

O que fazer quando o mercado está sem tendência e não é possível lucrar com a alta ou a baixa de uma ação? Descubra no curso completo de análise técnica da EXAME.

Conceitos de análise técnica: o que saber antes de operar

Além de conhecer os fundamentos da análise técnica explicados pela Teoria de Dow, outros termos e conceitos são importantes para quem tem interesse em ler gráficos de ações e demais ativos de renda variável.

Topos e fundos

Topos e fundos na análise gráfica (técnica) são picos e vales em níveis de preços do ativo, que indicam padrões de movimentos e previsibilidade de comportamentos. Isso é: identificá-los permite prever reversões de tendências de alta ou de baixa e, assim, a necessidade de compra ou venda do papel.

Imagem com topos e fundos da análise técnica Topos e fundos da análise técnica permitem visualizar pontos de resistência (dificuldade do preço subir) ou pontos de suporte (dificuldade do preço cair).

Topos e fundos da análise técnica permitem visualizar pontos de resistência (dificuldade do preço subir) ou pontos de suporte (dificuldade do preço cair). (EXAME/Exame)

O topo na análise gráfica é a extremidade ou o ponto mais alto de um movimento, que antecede um movimento de baixa. Ou seja, o momento em que o preço do ativo parou de subir e passou a cair.

Ao contrário do topo, o fundo é a extremidade ou ponto mais baixo de um movimento, que antecede o movimento de alta. Assim, representa o momento em que o preço do ativo parou de cair e começou a subir.

Período (ou frequência)

O período ou frequência é o espaço de tempo escolhido para análise. Pode ser de minutos, horas, dias, semanas, meses ou até anos.

Os gráficos intradiários são os mais usados por day traders, pois têm períodos de horas ou minutos, tendo o tempo total menor a um dia. Já os gráficos diários apresentam frequências a partir de um dia (24 horas), comumente utilizados para operações de prazos maiores.

Preço de abertura

O preço de abertura é o valor do ativo escolhido no momento em que o novo período do gráfico começa. O valor é definido como um consenso no mercado financeiro.

Preço de fechamento

O preço de fechamento é o último valor do ativo escolhido no momento em que o período se encerra. Permite ver a variação de preços do ativo ao longo do dia quando comparado à abertura.

Preço máximo (ou máxima)

A máxima ou preço máximo é o maior valor em que o ativo foi negociado naquele período. Ou seja, o valor mais alto que os investidores negociaram e aceitaram pagar.

Preço mínimo (ou mínima)

Contrariamente ao preço máximo, o preço mínimo é o maior preço em que o ativo foi negociado em determinado período. Isso é: o valor mais baixo que investidores negociaram e aceitaram pagar.

Escala

A escala é a forma com que o gráfico será visualizado, o que influencia no modo com que o investidor enxerga a variação de preços de um ativo.

Há dois tipos de escalas na análise técnica: a escala aritmética e a escala logarítmica. Na escala aritmética 1 corresponde a 1; isso significa que caso o investidor ganhe R$ 5 ao comprar uma ação por R$ 5 (mas que depois subiu para R$ 10), ele teve um ganho de 100%. Por sua vez, a escala logarítmica é moldada em valores percentuais, facilitando a interpretação do investidor sobre quanto ganhou ou perdeu.

Tipos de gráficos de análise técnica

Os gráficos elaborados para análises técnicas têm como base o histórico do preço de determinado ativo em dado período.

É possível, por exemplo, visualizar um gráfico de linhas dos últimos 30 dias, com periodicidade diária, em que a linha é a união dos preços de fechamento de cada dia de negociação. Porém, há ainda outros tipos de gráficos que podem ser mais úteis a depender da necessidade do investidor.

Gráfico de linhas

O gráfico de linhas é o mais utilizado entre investidores que aderem à análise técnica por conta de sua simplicidade. Afinal, permite uma fácil observação do comportamento dos preços por um período.

Imagem com gráfico de linhas da análise técnica O gráfico de linhas é o mais comum entre investidores que utilizam a análise técnica.

O gráfico de linhas é o mais comum entre investidores que utilizam a análise técnica. (EXAME/Exame)

Apesar do preço de fechamento do ativo ser o item mais avaliado, o gráfico de linhas também permite visualizar valores de abertura, mínimas ou máximas de forma separada.

Gráfico de barras (ou gráfico OHLC)

Mais completo do que o de linhas, o gráfico de barras reúne o preço de fechamento, preço de abertura, preço mínimo e preço do ativo conforme o período desejado a ser analisado. É justamente daí que deriva seu outro nome: gráfico OHLC, abreviação de Open High Low Close (abertura, aumento, diminuição, fechamento).

As barras verticais representam os preços mínimo e máximo negociados: o início da barra, seu valor mais alto, é o preço máximo; enquanto seu final, o valor mais baixo, expressa o preço mínimo.

As barras horizontais do gráfico são os preços do ativo negociados na abertura e fechamento. Quando à esquerda, a barra representa o preço de abertura; e quando à direita, de fechamento.

Gráfico de candlestick

O candlestick é um gráfico de análise técnica mais visual, com representação dos preços de abertura, fechamento, mínimo e máximo de um ativo. Foi muito utilizado para negociação de arroz no século XVIII e hoje é muito usado para antecipar reversões de renda variável.

Gráfico de candlestick de análise técnica O nome “candlestick” (candelabro, em português) deriva da figura representativa dos movimentos do ativo, que se assemelham a velas.

O nome “candlestick” (candelabro, em português) deriva da figura representativa dos movimentos do ativo, que se assemelham a velas. (EXAME/Exame)

A base do pavio superior (chamado também de sombra superior) representa o preço de abertura do ativo, enquanto a base do pavio inferior (sombra inferior) expressa o preço de fechamento. O preço máximo é o valor mais alto do pavio superior; e o preço mínimo, o valor mais baixo do pavio inferior.

Principais indicadores da análise técnica

Para ter maior chance de sucesso nas operações, o investidor pode contar com indicadores de análise técnica para interpretar as dinâmicas dos preços de um ativo e antecipar seus movimentos para o futuro.

Vale ressaltar que nem todos os indicadores e tendências têm a mesma confiabilidade. Isso porque cada aspecto deve ser usado de acordo com o perfil e objetivo de cada investidor, além de estarem sujeitos a abalos emocionais do trader durante a operação – como insegurança, medo ou euforia.

Jerson Zanlorenzi, do BTG Pactual, comenta que “não existe um indicador de análise técnica capaz de resolver todo o mercado. É bom testar e mesclar vários indicadores para criação de uma estratégia que faça sentido para você como investidor”.

Médias móveis

As médias móveis são um dos indicadores mais conhecidos entre os investidores. Usadas para identificar mudanças em tendências, apontam os valores médios alcançados pelo ativo em períodos passados e suavizam dados de preços atuais. Assim, mede o valor médio do preço e seu volume.

Gráfico de linhas com médias móveis de análise técnica Uma média móvel é representada no gráfico por uma linha, que se movimenta a cada dado novo recebido sobre o ativo em questão.

Uma média móvel é representada no gráfico por uma linha, que se movimenta a cada dado novo recebido sobre o ativo em questão. (EXAME/Exame)

Suporte e resistência

O suporte na análise técnica acontece quando há fundos (pontos baixos) consecutivos, que pouco variam de um período para outro. A perspectiva é de que o preço do ativo suba após atingir o suporte, já que este é o menor patamar que os investidores estariam dispostos a pagar.

Gráfico de linha que apota para suportes e resistências da análise técnica Ao traçar uma linha no topo ou no fundo de um gráfico é possível identificar suportes ou resistências.

Ao traçar uma linha no topo ou no fundo de um gráfico é possível identificar suportes ou resistências. (EXAME/Exame)

A resistência ocorre quando os preços chegam a um valor máximo que se repete nos demais períodos consecutivamente, atingindo vários topos.

Quando o preço chega à resistência espera-se que a demanda perca forças gradualmente, fazendo com que a tendência de alta sofra uma reversão e se transforme em queda.

Se você conseguir ligar os fundos da análise com uma linha reta, significa que há um suporte. Já se conseguir ligar os topos da análise com uma linha reta, significa que há uma resistência.

IFR (Índice de Força Relativa)

O Índice de Força Relativa (IFR) é uma unidade que mede as variações da bolsa de valores. Com medição de 0 a 100, auxilia o investidor com informações sobre a velocidade em que os preços do ativo mudam.

Como consenso, quando o IFR indica 70 ou mais significa que o mercado está no topo em relação aos preços. Já valores próximos a 30 representam a proximidade de fundos no gráfico.

Bandas de Bollinger

As Bandas de Bollinger são um indicador de oscilações nos preços, usadas para notar a relação entre o preço atual e o valor médio de um ativo.

Gráfico de linhas com Bandas de Bollinger para análise técnica Bandas de Bollinger são um indicador de análise técnica para verificar oscilações de preços.

Bandas de Bollinger são um indicador de análise técnica para verificar oscilações de preços. (EXAME/Exame)

Consistem em uma linha central e outras duas, acima e abaixo da central (chamadas de bandas). A linha central é uma média móvel, enquanto as demais são bandas de preços que representam possíveis desvios-padrão dos ativos analisados. Conforme o preço do ativo, as bandas podem se expandir ou contrair.

Para conhecer demais índices da análise técnica e saber como usá-los na prática, inscreva-se no curso de Análise Técnica promovido pela EXAME – já com lista aberta!

Por que e como combinar indicadores

Os indicadores técnicos são formas de observar o mercado por meio de representações gráficas de preços. Apontam o que pode acontecer com os preços de ativos, mas não mostram se de fato o ativo vai cair, subir ou se manter – pois o mercado pode mudar seus rumos a qualquer momento.

Cada indicador tem sua particularidade e, assim, não há uma resposta definida à pergunta “qual o melhor indicador de análise técnica?”. Afinal, o que é melhor pode variar com o momento do mercado, com o ativo operado, o tipo de ativo (se é uma ação, opção, contrato) e também conforme o investidor (seu perfil, objetivos e emoções).

Para isso, é essencial que o investidor estude sobre análise técnica, teste indicadores e verifique quais atendem suas necessidades operacionais e de ganho.

Como evitar perdas com a análise técnica

Para se evitar perdas na bolsa com a análise técnica é preciso que o investidor tenha em mente seu objetivo, realize testes com diferentes períodos e indicadores, acompanhe as movimentações e veja se as combinações feitas para aquela operação fazem sentido para si.

É fundamental que todo investidor tenha consciência de que nenhuma tendência é eterna. O mercado pode oferecer boas oportunidades em determinado ativo hoje, mas pode sofrer alterações no dia seguinte ou em poucas horas – sendo um indicativo para possível reversão de tendência.

Uso de starts e stops

Quem realiza operações em análise técnica, seja de forma automatizada ou não, precisa proteger seu capital, evitando grandes perdas e potencializando os lucros. Para isso, muitos utilizam os chamados starts e stops.

Starts e stops são programações em ordens de compra e venda de ativos, enviadas para a bolsa de valores quando o ativo que você quer adquirir ou vender atingir uma cotação igual, superior (start) ou inferior (stop) ao preço de disparo.

Para programar uma ordem start o investidor cadastra um preço de disparo (valor em que a ordem será enviada) e o preço limite (valor máximo que o investidor está disposto a pagar pelo ativo).

Como exemplo, suponhamos que uma ação XYZ1 seja negociada a R$ 10. Você pretende comprá-la quando a cotação atingir R$ 10,10. Então, você cadastra uma ordem start com valor intermediário (R$ 10,05); quando esse valor for atingido, a ordem de compra do ativo a R$ 10,10 é enviada à bolsa.

Por sua vez, o uso da ordem stop ajuda o investidor a limitar perdas em caso de quedas bruscas no preço do ativo. Seu funcionamento é similar da start: o investidor programa a ordem de venda, que será enviada à bolsa somente quando o preço de disparo for atingido.

Agora você deseja vender seu papel da ação XYZ1 por R$ 9,90, mas estas ações, no momento são negociadas a R$ 10. É preciso, portanto, cadastrar uma ordem stop a R$ 9,95, para que, quando esse valor for atingido, enviará a ordem de venda no valor de R$ 9,90 à bolsa.

Importante reforçar que para usar stops e starts é aconselhável o acompanhamento constante do mercado. Somente assim é possível perceber a volatilidade do ativo.

Estude, estude e estude!

Lucas Claro estuda análise técnica e o mercado financeiro desde 2007, atuando profissionalmente no ramo há mais de oito anos. Desde junho de 2019 é responsável pela a maior sala de Trade do Youtube brasileiro, ajudando mais de 40 mil pessoas diariamente.

Como trader especializado em análise técnica, Lucas enxerga os estudos como atividade primordial antes de entrar no mercado. “Leia conteúdos confiáveis, de veículos com credibilidade. Tome cuidado com ‘vendedores de sonhos impossíveis’, que dizem ter a fórmula mágica da riqueza e do domínio da bolsa. Entenda como funciona sua corretora, o que é liquidez da bolsa. Acompanhe as notícias do mercado”, aconselha.

Para ele, não é preciso ser expert em análise técnica para evitar perdas e alcançar bons lucros. Porém, ter noções de conceitos básicos e saber como alinhar sua operação aos próprios objetivos é essencial. Uma dica para isso é realizar um curso completo de análise técnica, que mostre indicadores, conceitos e como montar sua própria estratégia.

“Operar na bolsa sem ter conhecimento algum pode ser frustrante e levar a grandes perdas. Seria como entrar num campeonato de poker sem sequer entender as regras básicas do poker”, ressalta Lucas.

Curso de análise técnica da EXAME

Para quem deseja aprender a análise técnica e utilizá-la como aliada para ganhos na bolsa de valores, a melhor opção é dedicar-se a um curso completo sobre o assunto. Com o objetivo de atender à demanda, a EXAME Academy irá lançar o Curso de Análise Técnica.

Com o curso, todo e qualquer investidor interessado poderá aperfeiçoar seus conhecimentos, aprendendo teoria e prática sobre operações de análise gráfica, além de se capacitar para montar sua própria estratégia.

Os instrutores são dois dos mais renomados especialistas no tema: Lucas Claro, analista técnico CNPI do Banco BTG Pactual; e Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável e derivativos, também do BTG.

Além de conquistar independência para tomada de decisões em investimentos por meio da análise técnica, os aprenderão outras lições primordiais para melhores resultados: gerenciamento de risco e a importância do controle emocional.

Lucas Claro ressalta que a principal intenção do curso não é trazer estratégias prontas, mas sim auxiliar cada investidor a moldar sua própria estratégia, adequada à sua personalidade, perfil e necessidade.

“Este é um curso completo, em que ensinaremos a ‘análise técnica raiz’, o passo a passo de cada indicador, conceito, teoria e prática. Não é um curso para vender sonhos impossíveis, mas sim para mostrar caminhos reais para que cada um alcance seus próprios sonhos com a bolsa”, diz Lucas.

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